Em conferência de imprensa, após uma visita de Estado de três dias a Portugal, João Lourenço falou em concorrer a um novo mandato nas eleições previstas para 2022.

"O meu mandato é de cinco anos, portanto é minha obrigação lutar no sentido de conseguir, ou pelo menos aproximar-me, desta meta ainda no primeiro mandato, se for possível", afirmou em resposta a uma pergunta sobre o objetivo de travar as importações de bens alimentares.

"Caso contrário, e uma vez que todos nós temos o direito de lutar por um segundo mandato, conseguir isso no segundo mandato [e último, se for o caso, por limitação da Constituição]", continuou.

Na mesma ocasião, Lourenço disse que convidou o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa a visitar Angola no início do próximo ano e mais tarde, após um almoço com o seu homólogo no Palácio de Belém, clarificou que a visita deverá ter lugar entre 06 e 08 de março de 2019.

No final da visita, a primeira de um Presidente angolano a Portugal desde 2009, João Lourenço desafiou os empresários portugueses a seguirem "em força" para Angola para participarem no processo de diversificação da economia do país.

"Nós gostaríamos de ver os empresários portugueses em força em Angola, sobretudo as pequenas e médias empresas, de praticamente todos os ramos da economia, da agricultura, das pescas, do turismo, das várias indústrias. Se Portugal fizer isso, Angola agradece", referiu.

Ainda no campo da economia, o Chefe de Estado angolano admitiu a possibilidade de acelerar o processo de privatizações caso se mantenha a tendência de queda do preço do barril do petróleo e considerou que o valor atual é "mau" para quem produz.

O grupo da petrolífera estatal angolana Sonangol lidera este processo de privatizações, com a administração a pretender privatizar 52 empresas e dois conjuntos de ativos de atividades não nucleares do grupo.

Questionado sobre a saída da Sonangol de empresas portuguesas, no âmbito deste processo, João Lourenço enfatizou que existe apenas uma "orientação geral", sobre as privatizações, sem ter Portugal especificamente como objetivo. João Lourenço deu mesmo a entender que não é intenção da petrolífera estatal sair da estrutura acionista do banco português Millennium BCP.

"Já agora posso dizer que há uma empresa portuguesa que me procurou ontem [sexta-feira], muito preocupada, para saber se a Sonangol ia sair ou não. Em princípio, nós sossegamos essa empresa, para dormir descansada", disse João Lourenço. "Estou a referir-me a um banco", adiantou.

O Presidente de Angola mostrou-se satisfeito com o anúncio feito pelo Governo português, de apoiar o processo de repatriamento de capitais retirados ilicitamente de Angola e indicou que espera agora os passos concretos que serão dados por Portugal nesse sentido.

"Já é muito bom", apontou, antes de recordar que se trata de "fortunas e não apenas dinheiro", com origem em Angola, que "estarão espalhadas pelo mundo fora".

"Muito provavelmente, para além de Portugal, obviamente, em locais nunca antes imaginados. É nossa obrigação, com os meios de que qualquer Estado dispõe, e com os contactos que deve fazer com outros Estados, tentar localizar essas mesmas fortunas. Estará eventualmente em Portugal, mas também em muitos outros países", afirmou.

Durante a visita que terminou ontem, João Lourenço disse antever "um futuro promissor" nas relações entre Portugal e Angola e prometeu um "clima desanuviado" nas relações entre Luanda e Lisboa, após alguma tensão verificada no passado recente.

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