Representante especial do secretário-geral da ONU Kofi Annan para Timor-Leste, Marker teve um papel preponderante no processo que levou à votação de 30 de agosto de 1999 em que os timorenses escolheram a sua independência.

A imprensa paquistanesa recorda que Marker está no Guiness como o diplomata que serviu como embaixador no maior número de países, tendo sido premiado em várias nações ao longo de 30 anos.

Fluente em várias línguas e conhecido também como um apaixonado comentador de cricket, Marker teve a sua primeira nomeação externa em 1965, como Alto Comissário do Paquistão no Gana.

Entre a sua obra publicada conta-se o livro "East Timor - A Memoir of the Negotiations for Independence" (Timor-Leste - Uma Memória das Negociações para a Independência), o qual chegou a causar alguma polémica.

No texto, Marker disse que Xanana Gusmão teria, em dezembro de 1997 - quando estava preso em Jakarta -, informado a ONU de que estaria disposto a aceitar uma oferta de exílio na África do Sul.

Marker afirma que a oferta de Nelson Mandela teria sido feita para resolver o impasse sobre a libertação de Xanana Gusmão.

Conta também que, em dezembro de 1997, deslocou-se à prisão de Cipinang, em Jacarta, onde se encontrava Gusmão e que este lhe disse estar "preparado para aceitar o exílio na África do Sul, de modo a poder organizar a sua campanha política".

Segundo Marker, Xanana Gusmão afirmara que qualquer proposta de exílio teria sempre que partir das Nações Unidas "e ele então aceitá-la-ia".

Na altura em que o livro foi publicado, em 2003, Xanana Gusmão desmentiu, em declarações à Lusa, essa informação, negando que alguma vez tenha sequer afirmado estar disposto a aceitar o exílio na África do Sul.

Xanana Gusmão, que em 2003 era Presidente de Timor-Leste, negou que essa oferta tenha sido feita pelo então presidente sul-africano, Nelson Mandela, quando este o visitou na cadeia de Cipinang em Jacarta, em 1997.

"A oferta da África do Sul nunca foi feita. O senhor presidente da África do Sul nunca colocou essa questão, só falou de reconciliação", explicou Xanana Gusmão, referindo que no encontro participou ainda Francisco Lopes da Cruz, então embaixador itinerante de Jacarta para a questão de Timor-Leste.

"Não sei onde ele foi buscar esta ideia. Sou muito amigo dele, sou amigo da família dele e ele da minha, mas nesta questão não posso concordar com ele", disse o líder timorense.

Xanana Gusmão confirmou, no entanto, uma outra revelação do livro de Marker, a de que, em 1998, o próprio propusera um plano de duas fases para resolver a questão de Timor-Leste.

Ao abrigo do plano de Xanana, a primeira etapa, "a fase de segurança", duraria de seis a 18 meses e serviria para reduzir as tensões e o número de tropas indonésias no território, que passariam a ter um papel de manutenção da paz juntamente a ONU.

A segunda etapa seria uma "fase de reconstrução", a durar cinco anos, durante a qual haveria "esforços de desenvolvimento de infraestruturas", juntamente com "preparativos políticos para se resolver o estatuto político de Timor-Leste e problemas com isso relacionados, e em que os militares indonésios não seriam marginalizados".

No final desta segunda fase, acrescentou Marker, seria organizado um referendo para determinar o futuro político de Timor-Leste.

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