A Itália é o segundo produtor europeu de legumes e frutas e estava ameaçada de perder 40% das suas colheitas devido à falta de mão de obra, enquanto o país conta com cerca de 600 mil trabalhadores clandestinos.

A medida adoptada a 13 de maio em Conselho de Ministros, entra em vigor esta segunda-feira e o governo italiano vai conceder autorizações de residência de seis meses aos trabalhadores clandestinos nos sectores agrícola e de ajuda ao domicílio, em resposta à falta de mão de obra devido à crise da pandemia de COVID-19.

Mas esta regularização sazonal, que abrange sobretudo cidadãos oriundos do leste europeu, com destaque para a Roménia, africanos, indianos e paquistaneses, é sujeita a medidas burocráticas, que exigem um contabilista ou vários dias de trabalho, o que dificulta a sua implementação, denunciam os empregadores do sector agrícola.

A classe política italiana também está muito dividida face a esta regularização massiva de trabalhadores clandestinos: a ministra da agricultura Teresa Bellanova, que ameaçou demitir-se se a proposta não fosse aprovada, estima que com esta decisão e cito “venceu a dignidade“, enquanto Matteo Salvini, líder da Liga, partido de extrema-direita xenófobo e anti-imigração, se opõe radicalmente, considerando que “se trata de facilitar uma invasão de imigrantes e do regresso de desembarques em massa nas costas italianas“.

Por sua vez, o movimento de extrema esquerda Cinco Estrelas, antigo aliado de Matteo Salvini, e que actualmente faz parte do governo de Guiseppe Conte também se opõe, defendendo que a prioridade deve ser dar emprego aos desempregados italianos, medida criticada pelo sociólogo e especialista em migrações Matteo Vila, para quem “os italianos preferem continuar desempregados a ir apanhar laranjas“.

Também a Associação dos agricultores italianos critica esta medida, preferindo o esquema adoptado pelo Reino Unido e outros países europeus, de organizar o transporte aéreo, para ir buscar os trabalhadores sazonais ao leste da Europa.

O apelo lançado aos desempregados, estudantes, reformados e outros trabalhadores independentes, para trabalharem nos campos, não surtiu efeito no sector agrícola, já estruturalmente deficitário em mão de obra.

Por outro lado muitos alertam para os riscos ligados a esta regularisação massiva, que dará  falsas esperanças aos imigrantes, no momento em que a economia italiana está exangue, devido à crise sanitária despoletada pela pandemia de COVID-19, pelo que não lhes pode propor uma solução perene.

Além do mais sabe-se que as redes da máfia gerem parte do tráfico ligado aos trabalhadores clandestinos.

Portugal, prolongou até 30 de junho, os direitos dos imigrantes em vias de regularisação para os proteger durante a crise sanitária.

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