"Este modelo é um processo e vai decorrer de um processo inferencial dos três discursos de João Lourenço, o primeiro como candidato, em Cacuaco, o segundo da tomada de posse como Presidente da República, que foi extremamente rico em termos de conteúdo e simbologia, e o discurso que faz na visita oficial a Portugal", disse hoje em declarações à Lusa.

Para o docente universitário e autor do livro "O Público e o Político em Angola", lançado hoje em Luanda, a intervenção de João Lourenço na vista oficial a Portugal, em Novembro de 2018, solidificou a proximidade com o público pelo uso da expressão "marimbondos" (espécie de vespas) aludindo ao processo de do combate à corrupção no país.

O "espaço público tem de ser uma espera de autenticidade e não de falsidade, quer dizer que as más práticas como a impunidade, corrupção e bajulação são coisas passadas e devem ser resistidas não escuras, mas em extremo espírito de consciência e transparência pública, portanto este modelo tem este condão", considerou.

O actual contexto sociopolítico angolano é um dos dez capítulos do livro, com 612 páginas.

A actual expansão do sinal da Rádio Ecclesia - emissora católica de Angola -, também referida num dos capítulos do livro, autorizada em Janeiro de 2018, pelo Presidente angolano, "é sintomática porque revela novas dinâmicas relacionais positivas transformadoras entre o público e o político".

"E por outro lado a maturidade do público também há-de influenciar a estrutura de uma relação estrutural entre a agenciação dos actores envolventes no espaço público e a esfera da autoridade pública", sublinhou.

Paulo Conceição Faria, natural da província angolana de Malanje, é membro fundador e presidente da Associação Angolana de Ciência Política (AACP), e docente do Departamento de Ciência Política, Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.