Segundo o director do INAR, Francisco Castro Maria, que reagia aos novos desenvolvimentos na IURD, ocorridos na semana passada, com pastores e bispos angolanos a tomarem a direção da igreja, por não concordarem com a gestão dos brasileiros, a reacção actual é consequência da situação denunciada em novembro de 2019.

“Recebemos o manifesto dos pastores e bispos angolanos e temos estado a trabalhar nisso, mais do que isso não podemos avançar nada. Agora compete aos órgãos de justiça se pronunciar, sobretudo à PGR (Procuradoria-Geral da República)”, disse Francisco Castro Maria, em declarações hoje à agência Lusa.

Instado a comentar o alerta feito ao INAR pela direção brasileira, num documento publicado na sua página de uma rede social, a que chamaram “direito de resposta”, o responsável angolano desvalorizou o mesmo, salientando que estão põe dentro da situação.

“Estamos por dentro da situação, isso aí não nos afecta em nada, não são eles que têm de nos alertar, esse alerta para nós não diz nada. Estamos a trabalhar com o assunto desde novembro, então eles têm que aguardar, não têm que nos alertar em nada”, referiu.

No “direito de resposta”, a direção brasileira da IURD manifestou-se surpreendida por diversas notícias que davam conta que “algumas igrejas foram invadidas juntamente por pastores dissidentes e desconhecidos”.

No documento, a direção brasileira, que criticou “a forma tendenciosa e caluniosa” que dois órgãos de informação nacionais conduziram o processo, rejeitava a informação de que a IURD está a ser liderada por uma ala angolana ou uma ala brasileira, sublinhando que se trata de “uma instituição mundial, dirigida pelo espírito de Deus e com o conselho de direção constituído legalmente”.

“O que temos visto são actos criminosos, beirando ao terrorismo, além da inércia de algumas autoridades competentes”, refere o documento, alertando a PGR e a Polícia Nacional que “os crimes na qual citam que irão coibir, já ocorreram e estão se perpetuando através de expulsões de pastores brasileiros, angolanos, moçambicanos, das igrejas residências de forma voluntária”.

“Alertamos o INAR, Ministério da Cultura, Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, que uma organização criminosa está se auto declarando uma nova igreja”, refere a direção brasileira.

Questionado se o INAR recebeu algum pedido de legalização para uma nova IURD, Francisco Castro Maria reforçou que existe apenas o manifesto de novembro dos bispos e pastores angolanos.

“Vamos aguardar. Ao nosso nível, nós estamos a tratar do assunto, só que por enquanto não podemos ainda dizer nada, até porque nós estamos a trabalhar em coordenação com os órgãos de justiça, sobretudo a PGR, e os órgãos do Ministério do Interior, o Serviço de Investigação Criminal (SIC), então vamos aguardar”, frisou, sublinhando que neste tipo de situação, “cada um tenta lavar a sua pele”.

Na semana passada, os bispos e pastores angolanos tomaram a direção da IURD, por não concordarem com a gestão brasileira, a quem acusam da prática de evasão de divisas, branqueamento de capitais e racismo, bem como de castração.

Em dezembro de 2019, a PGR instaurou dois processos-crime contra a IURD, tendo como base as denúncias feitas pelos pastores angolanos.

A IURD, fundada por Edir Macedo em 1977, tem acumulado polémicas um pouco por todo o mundo, incluindo o envolvimento numa alegada rede ilegal de adopções em Portugal, e noutros países lusófonos, como São Tomé e Príncipe, onde os fiéis se revoltaram contra a detenção de um pastor são-tomense num protesto onde foi morto um jovem.

A organização religiosa já esteve na mira da justiça de vários países, além do Brasil, onde Edir Macedo, que construiu um verdadeiro império empresarial e chegou a ser considerado um dos pastores evangélicos mais ricos do país, foi preso, em 1992, sob acusação de charlatanismo e estelionato (burla), que foram mais tarde anuladas.

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