Segundo informou hoje o chefe de Estatísticas do INAD na Lunda Sul, Rui Sacheleca, a campanha, no quadro do programa de prevenção de acidentes com todo o género de minas, permitiu chegar a mais de 3.800 habitantes locais em três localidades do município de Saurimo, na maioria em zonas agrícolas.

De 2002 a 2016, o INAD desminou naquela província do leste, uma das mais afectadas pela guerra civil angolana, uma superfície de 52,1 milhões de metros quadrados, extraindo 1.554 minas anti-pessoal, 123 anti-tanque e 1.583 engenhos explosivos não detonados.

A 06 deste mês, um relatório da International Campaign to Ban Landmines (ICBL) indicou que Angola é um dos 11 países que ainda têm mais de 100 quilómetros quadrados de áreas com minas terrestres.

Os engenhos explosivos foram colocados sobretudo durante a guerra civil de 27 anos, que acabou em 2002, e muitos continuam activos, sendo responsáveis por milhares de mortes e ferimentos, incluindo mutilações.

Segundo dados de 2016, Angola tinha um total de 1.858 áreas livres de minas e 1.435 por limpar, contando apenas com apoio financeiro dos Estados Unidos, Japão, Suíça e União Europeia (UE).

No mesmo dia, o Governo britânico anunciou a concessão de mais 46 milhões de libras (59 milhões de dólares) para a remoção de minas terrestres em nove países, incluindo Angola, através da introdução de nova tecnologia e de formação às populações locais.

“São muito boas notícias para Angola, porque nos últimos anos o financiamento tem vindo a baixar. Chegámos a ter 1.200 pessoas a trabalhar na remoção das minas terrestres, mas atualmente só temos 200″, afirmou Paul McCann, diretor de comunicações da Halo Trust.