Muitos lavradores, sobretudo das zonas de Morro de Vento, Curral da Russa e Escovadinha, dizem ter ficado sem “uma parte importante” dos terrenos agrícolas devastados pelas chamas, porém, dadas como extintas na tarde deste sábado.

Arlindo Lopes, um dos agricultores afetados, perdeu dois hectares (área correspondentes a dois campos de futebol) de terrenos cobertos por ervilhas, tendo ainda ficado sem um armazém de pasto, consumido pelo fogo.

“A nossa situação é muito complicada. Perdi dois hectares de ervilha. Perdi o pasto para os meus animais e gostaria de poder contar com o apoio de quem de direito”, notou Arlindo Lopes, lamentando o facto de as chamas terem devastado “parte importante” do perímetro florestal do Planalto Leste.

Este agricultor aconselhou o Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) a repensar a gestão da floresta do Planalto Leste que, a seu ver, tem sido “mal gerida”.

Arlindo Lopes acredita que o incêndio, que deflagrou durante mais de 30 horas, teve origem em fogo posto, situação que advém de “algum descontentamento” latente no seio dos proprietários e guardas florestais, entende.

“Existe uma espécie de guerra fria entre os proprietários dos terrenos que lhes foram retirados à força pelo Estado para a plantação de árvores (pinheiros). Há também algum descontentamento dos guardas por causa de salários baixos”, avançou Arlindo Lopes.

Responsabilizou ainda o MAA pelo facto deste incêndio ter tido a proporção que teve (100 hectares terão sido destruídos) porque, a no seu entender, não tem sido feita a devida limpeza dessa reserva florestal.

Amílcar da Luz, outro agricultor, teve, igualmente, “muitas perdas” a nível de terrenos agrícolas e, segundo ele, as chamas quase levaram os seus animais (vacas e cabras) que estavam acantonados num curral, que ficou totalmente destruído.

“Não posso quantificar, mas as perdas são muitas. Por pouco, o incêndio não levou os meus animais (vacas e cabras) que eu tinha dentro de um curral”, avançou.
João Tomas perdeu, igualmente, parte da sua propriedade coberta por feijoeiros e viu as chamas ficarem a escassos metros da sua casa.

Segundo ele, o incêndio acabou por complicar ainda mais a situação dos agricultores, que já era considerada “muito difícil” por causa da seca, razão pela qual o Governo deve “olhar” para a situação desses camponeses, que ficaram de “mãos a abanar”.

O incêndio destrui parte das estruturas construídas no âmbito do projecto de abastecimento ao Planalto Leste já concluído, cuja inauguração deveria acontecer dentro de pouco tempo.

As autoridades municipais acreditam que 30% do perímetro florestal do Planalto Leste, com uma extensão de dois mil hectares, terão sido atingidos pelas chamas, que terão consumido 100 hectares da floresta, área equivalente a 100 campos de futebol.

O fogo foi, no início da tarde de ontem, dado por extinto pelo Serviço Nacional da Protecção Civil (SNPC), apesar de “pequenos reacendimentos”, que são “normais e controláveis”, segundo Ronaldo Rodrigues, presidente desse serviço, para quem “a situação tem estado sob total controlo”.

O pessoal de intervenção (bombeiros e militares) vai permanecer no Planalto Leste até domingo, altura em que será feita uma nova avaliação.

Este foi o terceiro incêndio ocorrido em pouco menos de dois meses na floresta do Planalto Leste, considerado “o pulmão” da ilha de Santo Antão.

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