Com a pandemia de COVID-19 reduziu-se a contestação nas ruas de Hong Kong e, esta sexta-feira, as medidas de restrição deverão ser ainda mais relaxadas. No entanto, a crise política continua, com o Conselho Legislativo (o parlamento) bloqueado há sete meses pelos deputados pró-democracia, parcialmente eleitos por sufrágio universal.

Esta antiga colónia britânica viveu entre Junho e Dezembro de 2019 a pior crise política desde o seu regresso à soberania chinesa, em 1997, com manifestações, frequentemente reprimidas com violência policial, para denunciar a ingerência cada vez maior de Pequim nesta região semi-autónoma, um combate que tem na linha da frente os pró-democratas.

Nas últimas semanas, multiplicaram-se as acções de obstrução, para impedir que o parlamento analisasse um projeto de lei visando reprimir “a falta de respeito pelo hino nacional chinês“, o que levou ao adiamento da sua adopção, o que levou Pequim a tecer fortes críticas.

Caos no parlamento de Hong Kong

Esta sexta-feira, os confrontos no parlamento opuseram a direcção do Comité da Câmara Baixa, sem dirigente desde Outubro, devido à oposição pró-democrata que tem impedido a sua designação - e cujo papel é analisar os projetos de lei antes de passarem pelo crivo do parlamento.

Hoje, Starry Lee, uma das deputadas “pró-China” instalou-se na cadeira do dirigente do Comité da Câmara Baixa, ao abrigo de uma análise jurídica redigida por advogados do governo que a apoiam, mas os deputados da oposição acusaram-na de violar a lei.

Instalou-se então o caos no parlamento, com agentes de segurança e eleitos pró-China a aliaram-se a Starry Lee, enquanto os pró-democracia tentavam impor o seu próprio candidato ao cargo: um deles tentou mesmo escalar um muro, para aceder à tribuna.

Agentes de segurança evacuaram então, à força, vários deputados pró-democracia, enquanto os parlamentares rivais arvoravam cartazes, enquanto filmavam com os seus telemóveis e transmitiam em directo para as redes sociais o estado de total confusão.

A China já ameaçou interpor processos judiciários contra os deputados da oposição democrata que têm estado a bloquear o parlamento.

Por sua vcez, os militantes pró-democracia denunciam uma ingerência inaceitável da China, segundo os quais deve administrar a região semi-autónoma de Hong Kong, até 2047, com base no príncipio “um país, dois sistemas“.

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