Em França, as sanguessugas estavam em voga no séc. XIX. Diz-se que Pasteur terá sido salvo pela aplicação de 16 sanguessugas. A novidade é que este tratamento está de regresso aos hospitais.

O termo sanguessuga deriva do latim sanguisa que significa o suco do sangue, utilizado por Plínio, o Antigo. Desde a Antiguidade, os sangramentos eram largamente utilizados nas pessoas para curar numerosas doenças.
Actualmente, alguns grandes centros hospitalares no estrangeiro, nomeadamente os serviços de cirurgia reparadora, têm sanguessugas em reserva, para as urgências.

Na Alemanha e na Suíça, a hirudoterapia (terapia com sanguessugas) faz parte do programa de estudo para a obtenção do Diploma Heilpraktiker (grau de doutoramento em Naturopatia). Esta técnica é praticada por naturopatas com uma formação muito completa e com boa competência médica.
Longe de ser retrógada ou ultrapassada, a terapia pelas sanguessugas renasce graças a terapeutas experientes que revelam as características científicas e modernas deste método tradicional.
 
Sanguessugas protegidas

As sanguessugas europeias estão protegidas devido às alterações climáticas que provocaram uma retracção do seu habitat (os períodos de seca têm vindo a causar o desaparecimento dos pântanos).
Uma grande parte das sanguessugas utilizadas actualmente é proveniente da produção em bacias criadas para este efeito. No início do III milénio, existem apenas três grandes locais de produção de sanguessugas medicinais reconhecidos mundialmente.
- Bordeaux (Ricarimpex) em França
- País de Gales (Biopharm) no Reino Unido
- Moscovo (Centro Internacional da sanguessuga medicinal) na Rússia
 
A sanguessuga injecta no corpo do hospedeiro uma saliva com numerosos benefícios:

- Efeito anestésico, cuja substância permanece desconhecida.
- Vasodilatação pela acção de uma substância histamínica.
- Contém hialurodinase que permite a difusão das substâncias anticoagulantes e antiflogísticas.
- Contém hirudina que parece apresentar um efeito anti-inflamatório ao nível da artrite.
- Contém calina, uma proteína responsável pela duração dos sangramentos após o tratamento (inibição da agregação das plaquetas, o que impede a coagulação).
- Contém bdelina e bdelastina, inibidores da tripsina, da plasmina e da acrosina (substâncias que desempenham um papel importante na dissolução da fibrina dos coágulos sanguíneos).
- Contém destabilase, uma substância capaz de impedir a formação de uma trombose e até, o que é surpreendente, dissolver um coágulo já formado.
- Contém eglina, uma enzima envolvida na patogénese do enfisema pulmonar, gengivites, proliferações tumorais e processos inflamatórios.

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