“A PPLAAF (Plataforma para a Proteção de Denunciantes em África) está satisfeito por, mais uma vez, um whistleblower (denunciante) revelar ao mundo atos que vão contra o interesse público internacional. Tal como no caso do Football Leaks, estas revelações devem permitir o lançamento de novas investigações judiciais e assim na luta contra a impunidade dos crimes financeiros em Angola e no mundo”, disse em comunicado citado pelo jornal português Expresso o também advogado de Rui Pinto que é presidente daquela plataforma.

William Bourdon acrescentou que Rui Pinto queria expor atividades que eram ilegais ou contrárias ao interesse público e ajudar a sociedade a compreender a cumplicidade dos facilitadores do mundo ocidental no enriquecimento de Isabel dos Santos à custa dos angolanos pobres”, sem motivações políticas, ao contrário do que disse a empresária angolana que apontou o dedo ao Governo de João Lourenço.

Por seu lado, o diretor do ICIJ, Gerard Ryle, afirmou que “a partilha desta fuga de informação com a PPLAAF e, por sua vez, com os parceiros de media do ICIJ representou o fornecimento de provas incontestáveis sobre a miséria desnecessária que foi infligida ao povo de Angola e o papel dos intermediários que se enriqueceram ao facilitarem isso”, reiterando que os documentos “vieram de um cidadão preocupado, alguém que fez o que está certo em nome do público.”

A informação que levou ao Luanda Leaks estava contida num “disco rígido com todos os dados relacionados com as recentes revelações sobre a fortuna de Isabel dos Santos, sua família e todos os indivíduos que podem estar envolvidos nas operações fraudulentas cometidas à custa do Estado angolano e, eventualmente, de outros países estrangeiros”, frisa a nota de Bourdon.

“Graças ao nosso cliente, os cidadãos portugueses e o mundo têm acesso à verdade de um extraordinário sistema de predação e corrupção, gravemente prejudicial para Portugal, Angola e outros países”, acrescentou o advogado no comunicado.

Divulgado no dia 19, o Luanda Leaks revelou o império de Isabel dos Santos, feito a partir das relações privilegiadas com o Governo de Angola presidido pelo pai, José Eduardo dos Santos.

Santos tem negado todas as acusações, atribuiu as mesmas a uma perseguição política movida pelo Presidente João Lourenço e disse ter instruído os seus advogados a processar todos que revelaram informações “falsas”.

Rui Pinto, que está preso, é um alegado hacker informático português que publicou centenas de documentos internos da indústria do futebol e partilhou vários terabytes com jornalistas alemães [da Der Spiegel, revista parceira do Expresso no EIC, European Investigative Collaborations], expondo alguns dos aspectos mais negros da indústria global do futebol, incluindo evasão fiscal, match-fixing, bem como os honorários extorsionistas de agentes desportivos.

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