O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, chamou esta segunda-feira os partidos políticos com assento parlamentar para informar que têm até ao dia 18 de junho para encontrarem uma solução política com vista à formação de um novo Governo.

No final das audiências, o Presidente guineense reafirmou a sua intenção de dissolver o Parlamento se os partidos não chegarem a um entendimento até ao final deste novo prazo.

"O presidente do Parlamento sabe o que estou a pensar. A minha primeira opção é a dissolução do Parlamento. Mas dei-lhe um ultimato até dia 18 de junho para trazer uma solução, porque no dia 19 irei tomar uma decisão que será melhor para a Guiné-Bissau e para os guineenses. Que o líder do Parlamento chame os partidos para negociarem, senão, irei decidir", afirmou o Sissoco Embaló.

Sobre o prazo dado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para a formação de um novo Governo, que terminou na passada sexta-feira (22.05), Sissoco Embaló disse que a "Guiné-Bissau não será refém de ninguém". "Portanto, vamos todos buscar uma solução. Não é a solução que a CEDEAO disse. Eu também sou a CEDEAO, pois é um espaço comum, de todos. A partir de agora, sou eu a decidir e não a CEDEAO", sublinhou.

Diálogo entre os atores políticos

Na declaração conjunta proferida no final da reunião, o líder do Parlamento guineense, Cipriano Cassamá, prometeu encetar diálogo com os atores políticos para apresentar ao Presidente a solução antes do dia 18 de junho. A tarefa não será fácil, uma vez que as partes se mostram cada vez mais distantes de um acordo político, quando o assunto é dividir as pastas ministeriais ou sobre quem deve liderar o futuro Governo.

O porta-voz do partido Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), Jorge Mandinga, disse que a nova coligação que sustenta o atual Governo da iniciativa presidencial e que reclama ter uma nova maioria parlamentar está pronta para assumir o país.

"Pensamos que a maioria que nós, APU, constituímos hoje com o Partido para a Renovação Social (PRS) e o Movimento de Alternância Democrática (MADEM-G15) está pronta a continuar a assumir o destino de governação deste país. Pedimos que respeitem os partidos, que respeitem os resultados eleitorais, e que o presidente do Parlamento faça diligências no sentido de abrir a Assembleia para que possamos provar se temos ou não a maioria dos deputados", afirmou.

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que ganhou as eleições legislativas de 2019 com a maioria relativa, entregou uma proposta ao Presidente guineense para a formação de um Governo de base alargada que vai liderar, revelou a vice-presidente do partido, Odete Semedo.

"Entregamos um memorando de entendimento que queremos que seja apresentado a todos os partidos políticos no sentido de podermos chegar a um consenso de base alargada e que deverá ser presidido pelo PAIGC, dado que foi quem ganhou as eleições legislativas. O Presidente diz que vai aguardar pelo entendimento dos partidos, mas nós queremos saber sobre o fim do prazo dado pela CEDEAO para a formação do Governo. O Presidente disse que não responde pela CEDEAO e que está a trabalhar para a Guiné-Bissau", disse.

Perseguição política

Enquanto isso, não param de chegar as denúncias de perseguição política e ameaças de morte contra os opositores do atual Presidente da Guiné-Bissau. Na sexta-feira, o líder da bancada parlamentar da APU-PDGB, que representa quatro de cinco deputados do partido que se alinham ao PAIGC para formar a maior parlamentar, foi raptado.

Marciano Indi viria a ser libertado horas depois de populares invadirem o estabelecimento policial da vila de Safim, apresentando sinais de agressões no rosto.

Também o líder do Partido da Unidade Nacional (PUN), um crítico do regime de Sissoco, diz que foi ameaçado de morte. Idriça Djaló deu uma conferência de imprensa onde apresentou um áudio de seis minutos, de uma voz em crioulo a proferir ofensas e ameaças de violência física e de morte contra a sua pessoa.

"Para mim, essas ameaças são perigosas, não as tomo com ânimo leve. Na Guiné, houve um chefe de Estado executado na sua residência. Também já foram executados chefes militares, líderes politicos, milhares de compatriotas, entre 1974 e 1980, foram barbaramente assassinados", sublinhou.

"Já tivemos uma guerra civil devido a divergências políticas. Esses criminosos que destruíram o país andam por aí à solta. São pessoas muito perigosas capazes de assassinar e já o fizeram no passado. É um sistema que foi construído na base da morte e do terror. Eu nunca irei aceitar isso. A minha familia ja pagou. Por isso, se me quiserem matar, não falhem", acrescentou.

A Guiné-Bissau busca uma solução para acabar com a cíclica instabilidade política e retomar a normalidade constitucional.

Autor: Braima Darame

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