O ministro da Defesa de Moçambique, Jaime Neto, solicitado a comentar o pedido feito pelas companhias Exxon Mobil e Total, para o aumento de 500 para 800 do efetivo das Forças de Defesa e Segurança (FDS), posicionadas na região, afirmou que as condições de segurança estão garantidas.

“É natural que as companhias se preocupem com a segurança, e o Governo está tudo a fazer para que essas multinacionais, incluindo os seus trabalhadores, operem com tranquilidade e segurança”, afirmou governante, sem, no entanto, dar pormenores.

Entretanto, o Comandante-Geral da Polícia, Bernardino Rafael, diz que as FDS “estão prontas para garantir o início do processo de exploração de gás natural liquefeito na bacia do Rovuma”.

Por seu lado, alguns analistas afirmam que o pedido das multinacionais surge na sequência da intensificação de ataques dos insurgentes a alguns distritos do norte e centro da província de Cabo Delgado.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, revelou que o mais receente ataque dos insurgentes ocorreu na terça-feira, 4, no distrito de Quissanga.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) indicou que nos últimos cinco dias, houve pelo menos seis ataques em Cabo Delgado, “que provocaram uma debandada das populações e um enorme rasto de destruição”.

Um dos ataques foi contra a Escola Agrária de Bilibiza, que é também escola de formação de professores, onde há mais de 500 alunos.

Refira-se que no passado, algumas das companhias, entre as quais a Anadarko, já haviam manifestado preocupação com a segurança depois de os insurgentes terem atacado uma caravana da multinacional.

Todas as empresas têm os seus próprios sistemas de segurança, cabendo às FDS a proteção da zona onde operam essas empresas.

As tropas têm estado no terreno, mas o Presidente admitiu que são necessários mais apoios para lidar com o problema.

A presença de militares russos também foi registada na zona, próxima de uma das maiores reservas de gás natural do mundo, mas os ataques têm continuado.

O professor Calton Cadeado diz que, depois de o Estado ter montado uma estrutura de defesa e segurança para tentar conter os ataques e fazer uma defesa às populações e aos interesses das companias, em alguns casos com sucesso e noutros não, o Governo partiu agora para uma outra dimensão, menos reactiva e mais proativa para perseguir os insurgentes.

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