A carta de Emmanuel Macron difundida na noite de domingo na imprensa e nas redes sociais, é inédita por ser a primeira vez que, fora de um período eleitoral, um presidente da Quinta república opta por escrever aos franceses.

Ela ocorre após o agudizar da tensão do movimento de protesto dos coletes amarelos que, desde 17 de Novembro passado, todos os fins de semana têm protagonizado manifestações hostis ao regime.

Um movimento que começara por contestar o aumento de um imposto dos combustíveis, entretanto abandonado, mas cujas reivindicações alastraram à fiscalidade, aos serviços públicos ou ao emprego.

O chefe de Estado faz questão em recusar, desde logo, qualquer forma de violência, já que o movimento se tem feito acompanhar frequentemente de desacatos, ataques contra as forças da ordem e, mesmo, contra ministérios, lojas ou estabelecimentos comerciais, e de múltiplas detenções.

Emmanuel Macron, na sua carta, coloca 34 perguntas aos franceses: “não há perguntas proibidas“, escreve ele.

Mas o presidente refere, porém, que este grande debate não será “nem uma eleição nem um referendo“.

Não estaremos de acordo em tudo, é normal, é a democracia“, escreve ainda o chefe de Estado.

O primeiro assunto são os impostos, pormenoriza ele, em seguida a organização do Estado, o terceiro a transição ecológica.

Sem voltar atrás no que diz respeito ao imposto da fortuna ele dá provas de alguma maleabilidade quanto a levar em consideração o que disserem os franceses.

E inclusive quanto à definição da política migratória “Desejam que possamos fixar objectivos anuais definidos pelo parlamento ? Que propõem com vista a responder a este desafio que se vai manter ?

O diário Le Parisien desta segunda-feira sintetiza algumas das reacções políticas.

O deputado Christian Jacob, do partido de direita Os Republicanos afirma, que “esta carta testemunha que 18 meses após ter sido eleito Emmanuel Macron perdeu o rumo e o contacto com os franceses. Na lengalenga das perguntas ele esquece-de do essencial: a sua atitude pessoal e a sua maneira de exercer o poder”.

Enquanto isso Olivier Faure do Partido Socialista alega que “Não se convoca todos os franceses a um debate proibindo-lhes de falar por exemplo no Imposto da fortuna. As conclusões devem ser as dos franceses, não as já previstas pelo presidente da república“.

Por seu lado Manuel Bompard da França insubmissa, da extrema esquerda, denuncia que “Júpiter digna-se colocar-lhes perguntas, mas ocupar-se-á sozinho das respostas, ele fará ele próprio a síntese, isto é uma brincadeira. Um debate deve terminar por uma votação“.

Nicolas Bay, da União nacional (que sucedeu à Frente nacional) afirma que “Macron abre um debate de sentido único, alega ir ouvir os franceses, mas não será obrigado a levar em consideração os respectivos comentários ! Em termos de fundo ele equaciona só ajustamentos mínimos: uma dose reduzida de proporcional (no parlamento), sem reduzir a imigração, é um debate viciado.”

Emmanuel Macron desloca-se hoje a Grand Bourgtheroulde, no distrito de Eure, no centro oeste, para ouvir os autarcas: 600 presidentes de câmara dos cinco distritos da Normândia, também os parlamentares foram associados ao evento.

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