Vários políticos franceses expressaram indignação esta terça-feira depois da normalmente tranquila cidade de Dijon, no leste da França, ter sido palco durante quatro noites consecutivas de tumultos, relacionados com um suposto ajuste de contas por membros da comunidade chechena, que resultaram em confrontos inter-étnicos.

Segundo a polícia, os incidentes teriam sido provocados por uma agressão na passada quarta-feira contra um adolescente checheno de 16 anos, o que levou outros membros da comunidade a realizar ataques de represálias, sobretudo no bairro de Grésilles, onde reside uma grande comunidade de pessoas de origem magrebina.

Na segunda-feira à noite, dezenas de homens encapuzados e armados reuniram-se em Grésilles, dispararam para o ar, destruíram câmaras de vigilância e incendiaram caixotes de lixo e veículos, agrediram uma equipa de jornalistas locais e um condutor, informou a polícia à AFP.

A polícia demorou uma hora e meia para controlar a violência, que terminou com a detenção de quatro pessoas - nenhuma de origem chechena

“Ver jovens brandindo armas, 100 pessoas a lutar, agredindo-se uns aos outros, é inaceitável”, disse o ministro da Agricultura, Didier Guillaume, ao canal Cnews.

“Desarmar as forças da ordem é uma ideia barroca, que não pode prosperar” disse hoje o primeiro-ministro Édouard Philippe, referindo-se à “realidade insopurtável” das tensões intercomunitárias em Dijon, à laia de resposta ao líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, que defende uma “polícia organizada, disciplinada, obedecedora ao Estado republicano e tão desarmada quanto possível, para que inspire respeito e não medo”.

Laurent Nuñez,  secretário de Estado do interior deslocou-se esta terça-feira a Dijon e prometeu uma resposta extremamente firme aos incidentes que abalaram Dijon e anunciou o reforço do dispositivo policial e militar, com o envio ainda hoje para o terreno de mais 150 agentes.

“O nosso país está afundando no caos! Gangues estão travando uma guerra étnica com armas automáticas nas mãos”, tuitou a líder da extrema direita Marine Le Pen, que ainda hoje se desloca a Dijon.

O governador socialista de Dijon, François Rebsamen, criticou no fim de semana o que considerou um destacamento policial insuficiente.

A Chechénia é uma república russa, predominantemente muçulmana, no norte do Cáucaso, onde duas guerras nos anos 90 provocaram uma onda de emigração, sendo que muitos chechenos se refugiaram em vários países da Europa Ocidental.

Mais chechenos partiram para o exílio nos últimos anos devido a divergências com o líder pró-Kremlin Ramzan Kadyrov, acusado por ativistas de direitos humanos de múltiplas violações.

Não há números precisos sobre o número de chechenos que vivem em França, sobretudo na região parisiense e em Nice, pois possuem passaporte russo.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.