"É o que falta e penso que esse é o grande objectivo. É ter Angola a contribuir para operações de paz no âmbito das Nações Unidas. No momento em que isso acontecer, sobem para um outro patamar. Angola ainda não conseguiu fazer isso, mas eu penso que tem condições para fazer isso", afirmou Luís Brás Bernardino, em declarações à Lusa no dia do lançamento do seu livro na sede da UCCLA - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, em Lisboa.

Na opinião do militar e professor, o salto das FAA para esse patamar só ainda não aconteceu por falta de "vontade política" por parte de Angola.

"Angola tem eventualmente alguns receios de avançar, de que possa não estar ao nível do que estão outros países em processos de paz", disse.

Porém, na sua opinião, não há motivo para isso, porque "as Forças Armadas de Angola estão perfeitamente ao nível das de outro qualquer país para poderem contribuir para processos de paz em África ou em qualquer outra parte do mundo".

Luís Brás Bernardino dá como exemplo “a intervenção cada vez maior das FAA em exercícios, em treinos e em ações de cooperação” em África, quer ao nível da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), quer da União Africana.

"Hoje, temos umas FAA rejuvenescidas, com uma evolução em termos de organização, com um contexto de defesa nacional mais elaborado, umas Forças Armadas mais profissionalizadas, com uma responsabilidade regional acrescida. E que foram o pilar para aquilo que é hoje o Estado angolano", considerou o professor, resumindo ao mesmo tempo aquela que é uma das conclusões da sua análise, que começou há oito anos com o seu trabalho para a tese de doutoramento.

A decisão de escrever o livro lançado agora, com a chancela da Mercado de Letras Editores, teve, aliás, por base a tese de doutoramento, com alguma actualização de informação, disse.

"O processo de formação das FA angolanas é único no mundo", defendeu o autor do livro, "porque resulta de três movimentos, mas pelo caminho que seguiu foi feito com sucesso e envolveu países tão diversos na sua formação, como Portugal, na liderança, Estados Unidos, África do Sul, Cuba, Rússia, entre outros", defendeu.

Mais tarde, as FAA contaram ainda com a contribuição também de países como o Brasil, Israel e China, que cooperam com Angola, tendo o investigador destacado este último como "um dos parceiros importantes para as FAA e estratégico para” o país.

A apresentação pública da obra "As Forças Armadas Angolanas - Contributos para a Edificação do Estado" será feita pelo professor Armando Marques Guedes.

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