Lucas Ngonda realçou que "o Governo era gordo", como no passado, quando o antigo Presidente da República José Eduardo dos Santos "acomodava as pessoas e criava estruturas dentro do sistema, com multiplicidade de secretários de Estado e de ministérios".

O Presidente de Angola, João Lourenço, divulgou na segunda-feira a lista dos novos membros do executivo, que encolheu de 28 para 21 ministérios, destacando-se a saída de Manuel Augusto, das Relações Exteriores, substituído pelo seu secretário de Estado, Tete António.

"Nem todos esses ministérios eram necessários, sobretudo num país com dificuldades económicas. Se o Presidente João Lourenço está a fazer isso para ajustar e diminuir as despesas, tendo em conta a situação que estamos a viver, acho que é uma boa medida", referiu o presidente da FNLA, partido histórico.

Segundo Lucas Ngonda, o Presidente angolano, desde que tomou posse como chefe de Estado, procura consolidar o seu sistema de governação, salientando que as exonerações que vai fazendo "hoje e amanhã, é de alguém que está tentar encontrar a equipa que lhe convém para dirigir o país".

"Ele deve ter o senso do homem certo para o lugar certo, possivelmente, o que é difícil na política. Na governação é difícil, porque ele faz parte do aparelho. Penso que são normais estes procedimentos", disse.

Para Lucas Ngonda, "a crise sem precedentes", que Angola enfrenta "talvez seja também o motivo dele proceder assim", no sentido de "encontrar o homem certo no lugar certo".

Sobre se essas mudanças poderão trazer algum resultado positivo na governação do país, o político acha que não, porque "o sistema é o mesmo".

"Não podemos ter ilusões, o sistema no qual o Presidente evoluiu é um sistema que o criou a ele próprio. Não estou a ver que haja mudança: o sistema é o mesmo, o funcionamento, o aparelho, os homens, os programas são os mesmos, por isso dificilmente pode haver mudanças", disse.

Da longa lista de exonerações divulgada pela Casa Civil de João Lourenço constam 17 ministros e 24 secretários de Estado, bem como o secretário do Presidente da República para os Assuntos Políticos, Constitucionais e Parlamentares e o diretor do Gabinete de Ação Psicológica e informação da Casa de Segurança do Presidente da República.

NME/RCR // PJA

Lusa/fim

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