"Racismo é crime", era o que dizia um dos muitos cartazes empunhados pelos manifestantes que foram esta sexta-feira à noite (31.07) até ao largo de São Domingos, perto do Rossio, em Lisboa, protestar contra o assassinato de Bruno Candé.

Noutro cartaz, podia ler-se: "Todos somos Candé".

Os manifestantes estão indignados com a morte do português de 39 anos, de origem guineense, assassinado a tiro no sábado passado (25.07), em Moscavide. Muitos deles afirmam que Portugal tem um problema de racismo estrutural, que tem de ser resolvido urgentemente.

"Não é admissível dizermos que Portugal não é racista quando uma pessoa é assassinada em plena via pública com quatro tiros", afirma à DW Raquel Lima, do Núcleo Antirracista de Coimbra.

"É preciso que este tema do racismo seja olhado com muita seriedade, que se pense em políticas públicas e na criminalização do racismo de forma efetiva. Estamos a revindicar uma mudança de paradigma nesta sociedade, que deixe de ser negacionista. Estamos a contestar a cumplicidade do Governo, que neste momento está invisível, ausente e a gerar uma impunidade sobre casos de racismo institucional e estrutural", acrescenta.

Há protestos contra o assassinato do português marcados para esta sexta-feira e sábado em várias cidades, incluindo Lisboa, Coimbra, Porto e Braga.

"Queremos justiça"

O suspeito do crime, um homem de 76 anos, está em prisão preventiva por homicídio qualificado e posse de arma ilegal. Segundo a família e as testemunhas, o suspeito terá lançado insultos racistas contra Candé, afirmando que tinha "armas do Ultramar" e ameaçando-o de morte.

"Sim, o senhor disse palavras duras ao meu irmão antes de o assassinar. Pelo que eu soube, o meu irmão não reagiu aos dois dias de problemas que tiveram. E [o homem] disse que o ia matar e matou. É mesmo uma atitude de racismo", afirma Olga Araújo, irmã mais velha de Bruno Candé.

"Queremos justiça, e as pessoas juntaram-se a ver se o Governo começa a reconhecer que alguma coisa está mal."

A família do jovem português criticou inicialmente o silêncio do Executivo português, liderado por António Costa. Mas o Governo fez-se representar no funeral de Bruno Candé, na quinta-feira, garantindo na altura que seria feita justiça.

Associações e elementos da sociedade civil têm manifestado disponibilidade para ajudar a família de Bruno Candé, que deixou três filhos menores.

por:content_author: João Carlos (Lisboa), Guilherme Correia da Silva

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