"Além da oportunidade de promoção do país, que foi perdida, é provável que muitas companhias já tenham feito depósitos para ir ao evento; qualquer falhanço na devolução total dessas verbas causará mais estragos à já de si fraca reputação externa como um bom sítio para fazer negócios", escrevem os peritos da unidade de análise da revista britânica 'The Economist'.

Num comentário ao cancelamento da edição deste ano da Feira Internacional de Luanda (FILDA), enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas lembram que esta é a primeira vez que a feira é cancelada, mesmo durante a guerra civil, e sublinham que "a FILDA é um evento importante no calendário angolano".

Apesar de ter registado a presença de mais de 40 países, quase mil expositores e mais de 60 mil visitantes, "nalguns casos o evento é um microcosmos dos desafios de operar em Luanda", escrevem os analistas.

"Chegar à feira, que é realizada num centro de convenções fora da estrada principal nos subúrbios de Luanda, a caminho de Viana, pode ser uma enorme dor de cabeça por causa do tráfego congestionado, e o estacionamento é difícil", dizem, acrescentando que "a alimentação é exageradamente cara e limitada, e os cortes de energia atiram regularmente os pavilhões para a escuridão".

"O Governo está a tentar fortemente promover a actividade económica não petrolífera, especialmente entre os investidores privados e estrangeiros, e a FILDA teria tido um papel crucial na promoção das oportunidades", conclui a EIU.

A imprensa angolana deu conta na semana passada que a feira não se deverá realizar este ano, pela primeira vez em 33 anos, devido à profunda crise financeira que Angola atravessa, fruto da descida do preço do petróleo, que afectou toda a economia local.

Oficialmente, no entanto, o Conselho de Administração da Feira Internacional de Luanda, entidade que organiza o certame, ainda não informou os expositores do adiamento.

Numa comunicação enviada aos expositores no final de Junho, anunciando então o adiamento da FILDA para Novembro, José de Matos Cardoso, presidente do conselho de administração da FIL, empresa que organiza o certame, justificou a decisão com a "necessidade de manter os níveis de organização e qualidade" das feiras anteriores.

"Por razões técnicas que se consubstanciam na dificuldade de importação de materiais e equipamentos para montagem da feira e outros do interesse dos expositores, adia-se a realização da 33.ª edição da FILDA", lê-se na comunicação.

José de Matos Cardoso argumentou com "o actual estado da economia do país, que levou a que a maior parte das empresas esteja a viver algumas dificuldades no seu 'core business', o que afectou em grande medida a sua capacidade de operação produtiva e de acções de marketing e publicidade, tornando-as reféns das divisas para importação de bens e serviços".

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