Ao anunciar o adiamento das legislativas locais, previstas inicialmente para o dia 6 de Setembro, a chefe do executivo de Hong Kong declarou que esta “tinha sido a decisão mais difícil de tomar” desde a chegada da pandemia, no começo do ano àquele território onde, segundo dados oficiais, se tem registado um recrudescimento dos casos desde o início deste mês.

Reagindo a esta notícia, as autoridade central de Pequim considerou que este adiamento “era necessário, razoável e legal”, além de “entender totalmente e apoiar esta decisão”.

Já do outro lado do xadrez político de Hong Kong, onde o campo pró-democracia conheceu um forte impulso nas eleições distritais do ano passado, ao fim de meses de contestação massiva, esta decisão foi qualificada de “manobra política desonesta e desprezível” por uma parlamentar da oposição, Claudia Mo. No mesmo sentido, Joshua Wong, um dos líderes da contestação cuja candidatura às legislativas foi rejeitada ontem, prometeu que “a resistência vai continuar”.

De referir que o adiamento das eleições legislativas locais acontece um mês depois de Pequim impor em Hong Kong a sua polémica lei de “segurança nacional” , um dispositivo considerado por vários países, incluindo os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, como um atentado à liberdade.

Apesar da avalanche de sanções que se desencadearam a nível internacional para denunciar esta lei, no espaço de um mês as autoridades pró-Pequim de Hong Kong procederam à detenção de numerosos apoiantes do campo pró-democracia, proibiram os livros considerados “atentatórios à segurança nacional” e, nesta quinta-feira, chumbaram as candidaturas às legislativas de 12 militantes da oposição, alegando que “certos candidatos criticaram a lei de segurança nacional” ou “recusaram reconhecer a soberania chinesa”.

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