"O Conselho [de Governadores do BAD] escolheu Mary Robinson, Hassan B. Jallow e Leonard F. McCarthy para formar um painel de peritos independentes de alto nível para conduzir o inquérito", refere-se num comunicado assinado por Kaba Nialé, ministro do Planeamento e Desenvolvimento da Costa do Marfim e presidente do Conselho de Governadores.

Adesina, de 60 anos, eleito em 2015 como líder do BAD, um dos cinco principais bancos multilaterais de desenvolvimento do mundo, foi alvo de uma série de acusações desde o início do ano, divulgadas pela imprensa em abril.

Num relatório detalhado, os denunciantes acusam-no de favoritismo em inúmeras nomeações de altos funcionários, em particular de compatriotas nigerianos, de ter nomeado ou prometido lugares a suspeitos ou condenados por fraude ou corrupção, bem como de lhes ter concedido indemnizações generosas sem os sancionar.

O Conselho de Administração do BAD, um dos cinco maiores bancos multilaterais de desenvolvimento do mundo, expressou "plena confiança" no painel que será presidido por Robinson e composto por elementos de "inquestionável experiência e integridade profissional, bem como de reputação internacional comprovada".

O gabinete terá de entregar o seu relatório "num período de duas a quatro semanas no máximo", de acordo com o comunicado.

Presidente da Irlanda de 1990 a 1997, Mary Robinson, advogada, foi depois alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de 1997 a 2002.

O juiz Hassan B. Jallow foi procurador-geral da República, ministro da Justiça e Presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Gâmbia e foi também juiz do Tribunal de Recurso do Tribunal Especial para a Serra Leoa e procurador no Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas para o Ruanda (ICTR).

Leonard F. McCarthy foi vice-presidente do Banco Mundial para a Integridade durante 09 anos e, na África do Sul, foi responsável do Ministério Público, diretor do Gabinete de Crimes Económicos e chefe do Departamento de Operações Especiais.

O BAD anunciou em 04 de junho o lançamento de uma investigação independente contra o seu presidente, que procura ser reeleito para um novo mandato.

Depois de adiar uma decisão por duas semanas, a instituição pan-africana de desenvolvimento, com sede em Abidjan, capital económica da Costa do Marfim, finalmente cedeu à exigência dos Estados Unidos, insatisfeitos com a investigação interna que exonerou completamente Adesina das acusações, que incluem "comportamento antiético, enriquecimento pessoal e favoritismo".

Nas últimas semanas, o banqueiro tem recebido vários apoios, entre os quais está o do chefe de Estado da África do Sul e presidente em exercício da União Africana, Cyril Ramaphosa, e da antiga Presidente da Libéria Ellen Johnson-Sirleaf, que o elogiaram pelos esforços para garantir financiamento para o combate à pandemia da covid-19, ou do ministro das Finanças da Guiné Equatorial.

O BAD é o maior banco multilateral e tem um 'rating' de triplo A das três maiores agências de rating - Moody's, Standard & Poor's e Fitch –, tendo como acionistas 54 nações africanas e vários países fora do continente, entre os quais está Portugal e, mais recentemente, a Irlanda do Norte, que anunciou há semanas a sua entrada como acionista.

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