“Temos profundas reservas sobre a integridade do processo da comissão; ao invés, apelamos a que seja iniciada uma investigação profunda sobre as alegações usando os serviços de um investigador externo, de alto gabarito”, lê-se numa missiva enviada pelos EUA ao presidente da comissão de ética, que ilibou Akinwumi Adesina das acusações feitas por um grupo de funcionários anónimo.

O presidente do BAD foi acusado por um grupo de denunciantes funcionários do banco de entregar contactos a conhecidos e de nomear parentes para posições estratégicas no BAD, o maior banco multilateral africano.

“Considerando o âmbito, a seriedade e o detalhe destas alegações contra o único candidato à liderança do banco nos próximos cinco anos, acreditamos que um inquérito adicional é necessário para garantir que o presidente do BAD tem apoio, confiança e um mandato claro dos acionistas”, disse Mnuchin, que representa o maior acionista do banco a seguir à Nigéria.

Akinwumi Adesina, de 60 anos, é o único candidato à liderança do banco para os próximos cinco anos, e tem repetidamente negado as acusações de que é alvo por parte do grupo de funcionários do banco, com sede em Abidjan.

As críticas dos EUA surgem na sequência dos comentários do presidente do Banco Mundial, David Malpass, em fevereiro, segundo os quais os bancos de desenvolvimento multilaterais, entre os quais o BAD, tendem a dar empréstimos demasiado depressa e, no processo, aumentam os problemas dos países africanos com o endividamento.

O BAD refutou estas alegações e exemplificou que a Nigéria, um dos países citados por Malpass, tinha recebido mais empréstimos do Banco Mundial do que do banco africano, e classificou as declarações como “erradas e sem correspondência aos factos”.

Os funcionários do BAD que lançaram uma queixa contra o seu presidente e defenderam a necessidade de uma “investigação independente”, depois de o comité de ética ter arquivado as acusações.

“É urgentemente necessária uma investigação independente”, lê-se num documento enviado de forma anónima pelos funcionários do banco à agência de notícias France-Presse, na sequência do arquivamento da queixa original apresentada pelos colaboradores do banco multilateral de desenvolvimento.

De acordo com aquela agência noticiosa, o documento foi enviado aos governadores do banco, no princípio de maio, e surge depois de o comité de ética do banco ter considerado que as queixas contra Akinwumi Adesina, de favorecimento e prepotência, entre outras, não tinham provimento.

A acusação denunciava que Adesina entregava os maiores contratos a seus conhecidos e nomeava familiares e amigos para os cargos de maior importância, criticando também a prepotência na condução do banco e o afastamento de críticos do seu trabalho.

Depois de examinar as alegações “ponto por ponto”, o comité concluiu que “a queixa não é baseada em nenhum facto concreto e sólido”, de acordo com a conclusão da investigação, que data de 26 de abril, e foi consultada pela agência de informação financeira Bloomberg.

Também nas últimas semanas, o banqueiro tem recebido vários apoios, entre os quais está o do chefe de Estado da África do Sul e presidente em exercício da União Africana, Cyril Ramaphosa, e da antiga Presidente da Libéria Ellen Johnson-Sirleaf, que o elogiaram pelos esforços para garantir financiamento para o combate à pandemia da covid-19, e hoje do ministro das Finanças da Guiné Equatorial.

Em março, o banco emitiu títulos de dívida no valor de 3 mil milhões de dólares (2,75 mil milhões de euros) e lançou também um instrumento financeiro de 10 mil milhões de dólares (9,1 mil milhões de euros) para as nações africanas com o mesmo objetivo.

O BAD é o maior banco multilateral e tem um ‘rating’ de triplo A das três maiores agências de rating – Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch –, tendo como acionistas 54 nações africanas e vários países fora do continente, entre os quais está Portugal e, mais recentemente, a Irlanda do Norte, que anunciou há semanas a sua entrada como acionista.

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