O estudo de viabilidade de Macau passar a cobrar a taxa turística “mostrou divergências” após a Direção dos Serviços de Turismo ter recolhido um total de 14.900 questionários, de acordo com um comunicado das autoridades.

“Entre os residentes, 95% é favorável à implementação de uma taxa turística e 5% contra. No caso dos operadores turísticos 20% é a favor e 80% contra”, referiu a mesma nota.

Por outro lado, pouco mais de metade dos visitantes inquiridos afirmaram que se uma taxa turística for implementada em Macau tal afetará a vontade de visitar Macau.

Uma das conclusões do estudo apontou que “a cobrança de uma taxa turística reduz a vontade dos visitantes em visitar Macau, o que não favorece a integração de Macau no desenvolvimento da Grande Baía”.

Este é um dado importante, já que se trata de um projeto de Pequim de desenvolver uma metrópole mundial, juntando Macau, Hong Kong e nove cidades da província chinesa de Guangdong, uma prioridade para o antigo território administrado por Portugal.

No mesmo estudo é referido que as razões de cobrança de uma taxa turística variam nos territórios que adotaram a medida, mas que “não há casos em que o controlo do fluxo de visitantes seja a finalidade”.

Finalmente, “na análise dos casos estudados, verificou-se que apenas na fase inicial da cobrança de uma taxa turística há um ligeiro abrandamento do crescimento do número de visitantes”, indicou o documento.

A Direção dos Serviços de Turismo já submeteu o relatório para avaliação do novo Governo da Região Administrativa Especial de Macau, que tomou posse a 20 de dezembro. O comunicado destacou que se deve “decidir com prudência, avaliando fatores como a economia, a imagem do destino turístico, a política geral da Grande Baía”.

Em março de 2019, em entrevista à Lusa, a diretora dos Serviços de Turismo disse que estava a ser feito um estudo para a possível aplicação de uma taxa turística no território, como acontece atualmente em Veneza (Itália) e no Japão.

“Estamos a fazer um estudo de comparação em termos das taxas que estão a ser impostas, por exemplo, por Veneza, (…) e pelo Japão”, afirmou Helena de Senna Fernandes.

Macau, um território de 30 quilómetros quadrados, registou em 2018 mais de 35 milhões de turistas. Nos onze primeiros meses de 2019, Macau já tinha recebido 36.322.775 de visitantes, mais 12,7% comparativamente ao período homólogo de 2018.

A responsável pelo turismo de Macau admitiu que o número de visitantes pode ascender aos 40 milhões em 2019, apesar da diminuição dos turistas internacionais devido à grave crise social e política da cidade vizinha de Hong Kong.

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