Segundo o executivo ‘paranaense’, o memorando assinado “deixa aberta a possibilidade de realização de testes, produção e distribuição do imunizante” em território brasileiro.

“A ideia do memorando de entendimento é ampliar a cooperação e estabelecer uma parceria. Estamos a avançar nos acordos para transferência de tecnologia”, afirmou em comunicado o governador do Paraná, Carlos Ratinho Júnior.

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) será responsável por coordenar os estudos da vacina Sputnik V, desenvolvida pelo instituto russo Gamaleia.

“É um memorando de entendimento bastante objetivo que visa a troca de tecnologia. Ele não gera obrigações, mas uma nova construção, um entendimento de que podemos trabalhar juntos. Vamos criar um grupo de trabalho para a formação de um protocolo que vai ser submetido às autoridades brasileiras”, afirmou o presidente do Tecpar, Jorge Callado.

“Neste momento a prioridade é a validação da vacina no país. Dependemos dessa aprovação para os outros encaminhamentos”, acrescentou Callado, frisando que está dado o primeiro passo para a entrada da Sputnik V no Brasil.

Questionado sobre a colocação de esforços numa vacina em relação à qual a Organização Mundial de Saúde (OMS) se mostra ainda reticente, Jorge Callado afirmou que aguarda a apresentação de comprovações por parte da Rússia, mas que o importante é o Brasil “estar inserido” nas negociações.

“Quantas mais alternativas, melhor para o país e para o mundo”, indicou o presidente do Tecpar em conferência de imprensa, no final da firmação do memorando, sublinhando que não serão “avançadas etapas” que comprometam a segurança dos cidadãos face à vacina.

O embaixador russo no Brasil, Sergey Akopov, e o presidente do Fundo de Investimento Direto da Rússia, Kirill Dmitriév, participaram no encontro virtual e referendaram o memorando.

Assinada a parceria, o próximo passo é a formação de um grupo de trabalho com integrantes do Governo do Paraná e do executivo russo para acompanhar a validação da vacina em território brasileiro.

Não existe, por enquanto, expectativa ou prazos estabelecidos para o eventual início dos testes. Todo o processo será acompanhado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil e pelo Comité de Ética em Pesquisas, vinculados ao Ministério da Saúde do país sul-americano.

A vacina contra o SARS CoV-2 desenvolvida pelos cientistas russos chama-se Sputnik V (o V significa “vacina”) em referência ao satélite soviético, o primeiro aparelho espacial a ser lançado para a órbita do planeta Terra, disse na terça-feira o Presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O chefe de Estado anunciou na terça-feira que a Rússia se tornou o primeiro país do mundo a registar uma vacina contra o novo coronavírus.

De acordo com Putin, a vacina russa é “eficaz” e superou todas as provas necessárias assim como permite uma “imunidade estável” face à covid-19.

O Brasil totaliza 103.026 óbitos e 3.109.630 casos confirmados de covid-19 desde o início da pandemia, sendo o segundo país mais atingido pela doença no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 743 mil mortos e infetou mais de 20,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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