Segundo Gilberto Luther, que falava à margem de uma conferência sobre privatizações que decorreu em Luanda, os custos com o sector empresarial do Estado (SEP) em termos de subsídios rondam os 85.000.000 de kwanzas (cerca de 200 milhões de euros) face a uma contrapartida que ronda os 250 milhões de kwanzas (587 mil euros) em termos de dividendo.

“Isto justifica que o Estado empreenda não só estratégias de reestruturação empresarial a nível do SEP, mas também um programa como o PROPRIV [programa de privatizações do executivo angolano que prevê a alienação de 195 empresas detidas ou participadas pelo Estado]”, em que o sector privado será “o motor da economia”, adiantou Gilberto Luther.

Questionado sobre os relatórios e contas de 2018 de 55 empresas públicas, que registaram prejuízos totais de mais de 173 mil milhões de kwanzas (412 milhões de euros), reconheceu que “os gastos que o Estado tem com o sector empresarial público são manifestamente maiores do que os ganhos, ou seja, os dividendos que aufere”, mas considerou positiva a divulgação das contas.

“Estamos a falar de, pela primeira vez, termos integralmente contas divulgadas ao público, cumprindo as melhores práticas. São empresas que mobilizam capitais públicos, de todos nós, é justo que a performance seja conhecida não só pelos investidores que estejam interessados no programa de privatização, mas por todos os cidadãos”, assinalou o responsável do IGAPE.

O administrador afirmou que, “como qualquer dono de empresa racional”, o Estado deve “tirar as ilações pertinentes” e fazer mudanças, optando por medidas que envolvam a alienação de activos por entender que “o mercado poderá extrair melhor performance e o Estado receber algumas mais-valias ou proceder a estratégias dinâmicas de reestruturação para maximizar o seu valor”.

Gilberto Luther admitiu, por outro lado, que nem sempre os resultados menos bons se prendem com o desempenho das administrações, sendo exigidos em alguns casos “esforços de capitalização” ou de adequação ao sector onde as empresas estão inseridas.

Quanto às perspectivas de encaixe das próximas privatizações, depois de um primeiro lote de unidades industriais da Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo ter sido arrematado por cerca de 16 milhões de dólares (cerca de 14,5 milhões de euros), ou seja cerca de metade do que era esperado, o responsável do IGAPE assinalou que as avaliações que serviram de base ao concurso-piloto “eram um tanto desfasadas da realidade fabril que, em alguns casos, tinham material obsoleto ou em falta”.

Na segunda fase de privatizações, que inclui um concurso para 23 unidades industriais e deverá ser lançado em breve, “já houve tempo de reavaliar os activos”, pelo que Gilberto Luther considera que serão apresentados preços de referência mais realistas face às possibilidades de oferta do mercado.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.