Durante o seu discurso nesta cimeira, realizada na capital da Mauritânia, Nouakchott, e na qual participaram os presidentes dos Estados-membros (Mauritânia, Mali, Níger, Burkina Faso e Chade) e vários líderes europeus, Sánchez alertou que está em causa “a segurança de todos”.

“Não estão sozinhos. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para vos ajudar a derrotar este terror fanático e criminoso que faz vítimas inocentes”, disse o presidente do Governo espanhol durante a sua intervenção.

Sánchez indicou que Espanha está preparada para continuar o seu compromisso com o Sahel e para “redobrar” os seus esforços nas áreas em que já está presente, anunciando então que o país está disposto a aumentar a sua presença na Missão de Treino da União Europeia no Mali (EUTM).

Segundo fontes citadas pela agência espanhola Efe, o executivo espanhol pretende aumentar as suas tropas presentes nesta missão para 300.

Pedro Sánchez assinalou ainda o compromisso financeiro de Espanha com o Sahel, que ultrapassa os 100 milhões de euros, assim como a sua participação na Aliança do Sahel.

O primeiro-ministro espanhol considera que no Sahel está em jogo a segurança a norte e sul do Mediterrâneo “e até mais longe, pois o risco desta ameaça alastrar aos países do Golfo da Guiné é cada vez maior”.

Pedro Sánchez lamentou que a presença destes grupos armados não tenha sido afetada pela pandemia de covid-19, que se assume como um novo fator desestabilizador para a região, tendo aumentado a vulnerabilidade e “levado a resistência das sociedades para o limite”.

“Quanto mais a ameaça dos radicais se espalhar, mais fortes eles se tornarão, mais difícil será travá-los e mais recursos financeiros e humanos teremos de dedicar para os combater”, vincou.

O primeiro-ministro de Espanha salientou a importância das missões internacionais presentes na região e disse esperar que, “através de uma coordenação eficaz”, estas alcancem os resultados desejados.

Pedro Sanchéz destacou ainda a necessidade do fortalecimento da presença do Estado, assim como da proteção dos cidadãos, de forma a “pôr fim à ligação entre o terrorismo e o crime organizado”.

Segundo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 4.000 pessoas foram mortas em ataques terroristas em 2019 no Mali, Burkina Faso e Níger, tendo o número de pessoas deslocadas aumentado 10 vezes, ficando próximo de um milhão.

Antes da cimeira, o governante espanhol encontrou-se como o homólogo mauritano, Ismael Bedda Cheihk Sidiya, no aeroporto de Nouakchott, enquanto era descarregado um avião com material doado por Espanha para ajudar o país africano no combate à COVID-19.

Além de material de apoio, seguiram também três médicos e duas enfermeiras que darão formação junto de profissionais de saúde, em particular nas técnicas de ventilação mecânica, protocolos de triagem e cuidados a ter com pacientes com COVID-19.

De acordo com os dados mais recentes, a Mauritânia contabiliza 4.149 casos desde o início da pandemia, incluindo 126 mortos.

Em África, há 9.879 mortos confirmados em mais de 393 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia no continente.

A pandemia de COVID-19 já provocou quase 506 mil mortos e infetou mais de 10,37 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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