A acusação foi feita por Ernesto Lipapa, que dirigiu uma equipa daquela comissão que investigou as denúncias feitas por residentes da zona onde a empresa chinesa está a desenvolver um projecto de exploração de areias pesadas.

Lipapa disse que a equipa constatou probemas relacionados com a disponibilização de informações à comunidade de Olinda, distrito de Inhassunge, sobre a situação da empresa.

Ele realçou que o processo não foi preparado de forma adequada para que as populações compreendessem a importância do projecto.

“Houve tumultos que culminaram com a intervenção da seguranças e da polícia moçambicana, porque a população se opôs à construção dos empreendimentos da companhia chinesa”, sublinhou.

Ernesto Lipapa explicou que as comunidades se sentem injustiçadas com o processo de reassentamento, considerando que as novas áreas que lhes foram atribídas não possuem espaço para agricultura.

Entretanto, para o director do Centro de Democracia e Desenvolvimento )(CDD), Adriano Nuvunga, a violação dos direitos das comunidades abrangidas por megaprojectos, resulta da “má governação dos nossos dirigentes”.

“É a governação corrupta dos nossos dirigentes que faz com que eles protejam os interesses das empresas internacionais, porque eles ganham participações e comissões, estão lá para receber benefícios”, sustenta Nuvunga.

Por seu turno, o jurista Tomás Vieira Mário, defensor dos direitos de comunidades residentes em locais onde estão a ser desenvolvidos projectos de multinacionais, diz que, em alguns casos, as violações incluem mortes de pessoas.

A empresa Africa Great Wall Mining, citada pela Lusa, diz que desconhece as acusações, considerando que tem cumprido com todas as cláusulas estabelecidas no âmbito da concessão.

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