O diplomata falava à Angop, na capital congolesa, à margem das comemorações do 17 de Setembro como Dia do Herói Nacional, num acto realizado de forma antecipada  e que juntou funcionários da missão diplomática e a comunidade angolana residente, em Brazzaville.

De acordo com o embaixador, a falta de identificação dos membros da comunidade angolana e a necessidade da sua reorganização constituem, neste momento, as maiores preocupações da Embaixada e dos cidadãos nacionais residentes, em Brazzaville, e noutras cidades do país.

Por isso, disse, está já em curso uma operação de registo consular de todos os cidadãos nacionais, no  quadro de uma directiva da Embaixada para garantir uma maior aproximação com a comunidade angolana.

“Precisamos de saber quantos angolanos temos no sentido de organizarmos esses angolanos e acompanhar também a vida desses angolanos”, sublinhou o embaixador, observando que  “quando chegamos, encontramos a comunidade um pouco desfeita em termos organizativos”.

Segundo ainda o diplomata, os serviços consulares não dispõem actualmente de quaisquer dados estatísticos sobre a dimensão da comunidade angolana, mas acredita-se que o seu número se situe entre duas mil a três mil pessoas.

Depois do registo consular, a Embaixada vai passar também, e se necessário em conjunto com o Instituto das Comunidades Angolanas no Exterior, a ver “a possibilidade até de criar as condições para que a comunidade possa tratar o seu Bilhete de Identidade e o passaporte, a partir de Brazzaville”, afirmou.

Descreveu a comunidade angolana, na capital congolesa, como “pacífica e calma”, realçando que “dificilmente” a Embaixada recebe queixas da prática de crimes pelos seus membros ou da existência de angolanos nas cadeias.

“Pode haver um ou outro (caso), mas temos de facto uma comunidade que conseguiu adaptar-se, no Congo, e criar a vida deles aqui”, indicou.

Sobre as formas do seu surgimento, Vicente Mwanda adiantou que a maior parte dos angolanos presentes hoje no Congo-Brazzaville vieram parar aqui durante a luta de libertação nacional, sendo que uns eram perseguidos e outros acompanharam as suas famílias.

Na sua composição, disse tratar-se de uma comunidade  heterogénea, havendo os que fazem os seus negócios particulares, os que não trabalham, os universitários, os professores, os médicos e os estudantes, entre outros.

O acto comemorativo do Dia do Herói Nacional, em Brazzaville, foi realizado de forma antecipada em virtude de a data coincidir com um dia normal de trabalho, na República do Congo, contrariamente ao que sucede, em Angola, onde a efeméride é feriado nacional.

A cerimónia decorreu no recinto do edifício que acolheu Agostinho Neto à frente do Comité Director do MPLA, quando este órgão do então movimento de libertação nacional e actual partido no poder, em Angola, foi expulso da vizinha República Democrática do Congo (RDC, então Zaíre), em 1963.

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