Economistas e banqueiros angolanos minimizaram hoje em Luanda a preocupação de alguns críticos face a um possível aumento da inflação com a introdução de novas notas de maior valor facial na economia angolana.

Em junho de 2012, a Assembleia Nacional aprovou, por maioria, a entrada em circulação de novas notas de 5 mil (42 euros) e 10 mil Kwanzas (84 euros), a juntar às já existentes com o valor facial de 2 mil, mil, 500, 200, 100, 50, 10 e cinco kwanzas.

Em declarações à Lusa, o economista angolano e docente universitário Milton Reis considerou que não há "nenhum inconveniente" nesta medida, tendo em conta que a introdução de novas notas acontecerá apenas quando a atividade económica o justificar.

"Se assim for, a emissão de novas notas de maior valor facial não será razão para aumento da inflação, visto que em princípio não haverá aumento da massa monetária em circulação", referiu.

Hoje, na cerimónia de apresentação das novas notas e moedas, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, sublinhou que "a introdução de uma nota de maior valor facial não contribui por si só para o aumento dos preços, ou seja, para a inflação".

"A referência à cédula de 5 mil kwanzas tem levado a que nos seja colocada a questão da possibilidade de ela contribuir para o aumento da inflação", referiu José de Lima Massano, acrescentando que a sua entrada em circulação não irá aumentar o valor financeiro do papel-moeda em poder público.

O responsável frisou que "será somente alterada a sua composição, pois a introdução de novas notas será feita na justa medida do valor das notas da atual família que forem entregues ao BNA, ou seja, o valor financeiro das notas a injetar no mercado será igual ao que for recolhido".

À época do anúncio da introdução das novas notas, o economista e professor universitário Victor Hugo de Morais considerou a intenção do Governo "uma atitude de alto risco", já que a tendência seria a inflação de preços no mercado e consequentemente uma instabilidade financeira, como escreveu num artigo para o jornal Semanário Económico.

Por sua vez, o Presidente do Conselho de Administração do banco BIC, Fernando Teles, considerou "bem-vindas" as novas notas, essencialmente as de 5 mil kwanzas, que vão facilitar a operacionalização das caixas de pagamento automáticas.

José de Lima Massano lembrou que, do ponto de vista monetário, o fenómeno da inflação não se dá devido ao valor facial das notas, mas sim quando a quantidade total de dinheiro a circular é superior à necessária para as transações que se efetuam numa economia.

O governador do BNA referiu que cerca de 70 por cento do valor financeiro do papel-moeda atualmente em circulação, corresponde às denominações de mil e 2 mil kwanzas, e que, da data de entrada em circulação dessas notas até hoje, a inflação acumulada atingiu cerca de 124 por cento.

@Lusa

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