Ana Dias Lourenço defendeu esta ideia hoje, na Cidade da Praia, durante a sua intervenção na abertura do V Diálogo Estratégico, promovido pelo Instituto Pedro Pires para a Liderança que decorre sob o lema “Mulheres e Liderança: para além dos chavões”.

Ela realçou que as mulheres são as alavancas de todas sociedades, facto esse que é evidente em todo o continente africano, argumentando que quando uma mulher triunfa toda a sociedade é beneficiada

Para Ana Dias Lourenço, apesar de terem vindo a se destacar a nível da política, da ciência, das letras, dos negócios, da cultura, do jornalismo e de um grande número de profissões que antes lhes eram recusadas, existem ainda práticas e limitações impostas culturalmente que impedem a expressão e o desenvolvimento do potencial criador das mulheres.

No entender da oradora, é necessário que se continuem a criar condições e oportunidades para mudar o perfil das mulheres africanas, e, assim, contribuir para “mudanças significativas” em toda estrutura social, com vista a corrigir distorções históricas que afectam a inclusão das mulheres em todos os domínios da vida social.

Durante o seu discurso, Ana Dias Lourenço defendeu a ideia de que a condição de chefe de família necessita, acima de tudo, ser reconhecida e valorizada, pois, destacou, é do trabalho das mulheres que depende a coesão familiar, a educação dos filhos.

Reconheceu, no entanto, que, ” infelizmente”, é muito comum no continente africano o abandono e a não assunção dos filhos por parte dos pais.

Para a primeira dama, falar do percurso das mulheres em África é falar da história viva do continente, que, através da sua determinação e resiliência, tem aberto caminhos para que milhões de africanos, em particular mulheres, se orgulhem da sua identidade e se sintam honrados em pertencer a este continente.

No seu ponto de vista, o futuro de África “é promissor”, uma vez que existem milhares de oportunidades por explorar, e para a tão almejada construção sublinhou que as mulheres devem tornar-se exemplos de ética, determinação, responsabilidade, moralidade, civismo, solidariedade e de excelência.

“A nível do empoderamento, reconhecemos limitações, mas não devemos permitir que elas nos definam, condicionem e ofusquem o progresso significativo que o nosso continente tem vindo a registar nas últimas décadas, em termos de igualdade de género”, sublinhou.

Para Ana Dias Lourenço, que foi também vice-ministra e ministra do Planeamento de Angola, a questão de género no seu país tem sido uma das prioridades na formação da nação angolana “soberana e independente”, onde a mulher é valorizada tanto no interior como no exterior a nível da política, da educação, economia e da cultura.

Esta conferência surge na sequência dos debates promovidos em 2014, 2015, 2016 e 2017, pelo IPP sobre “Integração regional em África”, “Inovação na gestão do desenvolvimento”, “Que capital humano, para que desenvolvimento?” e “Democracia e imprensa livre”.

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