Começou a cantar, ainda não falava. Aos 21 anos tinha o seu primeiro disco gravado, o 'don' poderia ser de juan ou de talento, mais à frente saberemos. Voltou para Angola, mas sendo um homem de laços, a ligação com Portugal não se perdeu. Don Kikas é um artista que vale a pena conhecer.

Sapo.ao:  Fale-nos um pouco acerca da sua história no mundo da música?

Don Kikas: Segundo a minha família, comecei a cantarolar mesmo antes de falar. Aos dois anos de idade já imitava artistas que via na TV.

Aos oito anos compus a minha primeira canção com ajudo pela minha mãe. Aos 12, comecei a tocar violão e já tinha várias composições. Comecei a participar em concursos infantis nos quais sempre fui vencedor e dai o sonho  começou a ganhar forma. Aos 17 anos fiquei em segundo lugar nos top dos mais queridos na província da Huila, aos 19 anos já em Portugal recebi o convite de integrar uma banda logo a seguir apareceu o convite para gravar o meu primeiro álbum que foi editado quando tinha 21 anos.

Sapo.ao: Qual é origem do nome Don kikas?

Don Kikas: Quando nasci meu irmão mais velho começou do nada a chamar-me de Kikas (ele tinha 2 anos na altura  e esse passou a ser o meu nome de casa. Quando era miúdo criei o meu nome artístico "KID KIKAS"  mas depois deixei de gostar, quando gravei o primeiro Disco, na brincadeira alguém me chamou de Don Kikas e achamos que podia funcionar

Sapo.ao: O seu gosto pela musica teve alguma influencia familiar?

Don Kikas: Muito pouca, visto que não existem mais músicos na minha família. Mas sempre me apoiaram.

Sapo.ao: Como avalia o seu percurso musical desde o ínicio até ao momento?

Don Kikas: Positivo mas ainda insatisfatório, visto ainda não ter concretizado tudo que almejei .Entretanto avalio também com um grande sentimento de gratidão por ter um publico que me continua a dar oportunidade de mostrar a minha criatividade.

Sapo.ao: Mudaria alguma coisa na sua trajectória de vida?

Don Kikas: Talvez se soubesse há dez anos o que sei hoje, mais isso é sempre assim entretanto não tenho razão de queixa.

Sapo.ao: Acha que existem muitas limitações em Angola que levam os artistas a gravarem com mais frequência os seus álbuns no estrangeiro?

Don Kikas: Ainda existem algumas limitações, mas já  são muitas  poucas a este nível. Já é possível gravar um disco inteiro com boa qualidade, existem as condições, mas por uma questão de preferência há muitos artistas que terminam os discos na Europa.

Sapo.ao: Planeia voltar a morar em Angola definitivamente?

Don Kikas: Já estou de regresso a Angola desde Janeiro de 2010. Mas continuarei a manter a ponte com Portugal por ser uma boa porta de entrada no mercado Europeu.

Sapo.ao: Como é relação com os fãs?

Don Kikas: Tranquila, na base do respeito e da admiração mútua. Em alguns casos chega a formar-se uma amizade.

Sapo.ao: De todos os artistas com quem já colaboraste qual foi aquele que mais te marcou?

Don Kikas: Todos deixaram a sua marca mais obviamente os mais velhos são sempre uma maior fonte de aprendizagem como foi caso do Bonga, Martinho da Vila ou Tito Paris.

Sapo.ao: O que pode ser melhorado para divulgar a música africana e tornar ele mais mundial?

Don Kikas: É necessário criar-se melhores estratégias de promoção de divulgação dos artistas Angolanos e não só. Investir melhor os recursos financeiros que hoje em dia já tem sido disponibilizado.

Sapo.ao: Já é possível avançar com os detalhes do novo projecto?

Don Kikas: Ainda este ano sem falta. O disco vai trazer Kizombas, sembas, kilapangas, mas com algumas abordagens inovadoras e alguns convidados especiais que trouxeram o gindungo para pôr mais lenha na fogueira que já estava bem acesa.

Sapo.ao: Existe algum artista/banda  com quem gostasse de trabalhar mas que ainda não tive oportunidade?

Don Kikas: Vários Lokua Kanza, Stevie Wonder, Ed Motta, Grupo Kituxo, Kassav.

Sapo.ao: De onde vem a inspiração para escrever músicas sobre o amor e bastante sensuais?

Don Kikas: Do dia a dia. Do nosso quotidiano, por mais que muitas vezes não pareça nós vivemos rodeados pelo amor, sensualidade, pela sedução, são elementos instintivos que estão sempre no ar. O estranho seria não me inspirar nessas coisas.


Vida Pessoal:

Sapo.ao: Gosta de sair para dançar? Que casas nocturnas costuma frequentar?

Don Kikas: Sim sempre que possível saio para estar com os amigos, dançar e actualizar-me sobre as músicas que tocam. Não tenho nenhuma casa de eleição, vou a quase todas.

 

Sapo.ao: Uma curiosidade: O que faz para manter esse corpo malhado e quais os cuidados que você tem para manter a beleza?

Don Kikas: Faço muito desporto, é um hábito que trago desde a infância. Acho que o melhor cuidado que podemos ter connosco é tentarmos ser felizes.

 

Sapo.ao: O que fazer num domingo sem shows, sem nada na TV e sem a companhia da namorada e do que você mais gosta?

Don Kikas: Compor uma música para solidão(risos)

 

Sapo.ao: O que a família representa para si? Como é sua relação com ela hoje em dia?

Don Kikas: A família é base, porto seguro, o melhor lugar para amar e ser amado. A minha relação com minha família é sempre de muito respeito e consideração e muita animação.

PERFIL

Nome: Emilio Camilo da Costa

Nascimento: 04 de Janeiro

Programas de Televisão: Telejornais, canais de música, canal de história , filmes.

Não assiste na Televisão: NOVELAS

Nas horas livres: Praia, estar com amigos, Música.

No cinema: Filmes de Suspense, Policiais, musicais.

Música: De tudo um pouco

Livro: O Alquimista

Prato predileto: Funge com Feijão de Óleo de palma e Mufete

Mulher bonita: Africana com traços orientais

Cantor: Stevie Wonder

Cantora: Aretha Franklin

Ator: Anthony Hopkins

Atriz: Halle Berry

Animal de estimação: Cão

Escritor: Paulo Coelho

Arma de sedução: Espontaneidade

Melhor viagem: Rio de Janeiro

Melhor notícia: Nascimento dos meus filhos

Filosofia de vida: Viver e deixar Viver. Respeitar e preservar o Próximo A amizade verdadeira é o ponto mais importante de todas as relações 

Kuanza Sul: Terra Cheia de boa gente e paisagens bonitas. Sumbe a Capital, cidade onde nasci.

 

Biografia

Don Kikas (Emílio Costa) nasceu em Angola, na cidade do Sumbe, província do Kwanza-Sul. Ainda nos primeiros meses da sua infância, emigrou para o Brasil com os seus pais onde começou a ganhar o gosto pela música e o sonho de um dia vir a ser um artista. Aos 8 anos de idade, já em Angola, compôs a sua primeira canção com a ajuda da mãe. Participava em alguns concursos para cantores infantis e as vitórias consecutivas serviam de incentivo para continuar a cantar, a compôr e a sonhar.

Em 1997 lançou o álbum “Pura Sedução”, o qual, para além da Kizomba, procurou mostrar que o Semba, considerado na altura música para os 'mais velhos' podia ser consumido e preservado pelos jovens. Com esse disco abriu portas em vários novos mercados e arrecadou alguns galardões, com destaque para o seu primeiro 'Disco de Prata' e o prémio de 'Música do Ano' para o tema 'Esperança Moribunda', atribuído pela Rádio Nacional de Angola.

Em 1999, gravou em Lisboa, Paris e Boston o álbum 'Xeque-Mate', que arrecadou no ano 2000 os galardões de 'Disco de Ouro' por mais de 20.000 cópias vendidas; 'Disco do Ano', 'Voz do Ano' e 'Melhor Kizomba do Ano' para o tema 'Na Lama do Amor', atribuídos pelos prémios Rádio Luanda. Foi ainda convidado pelo artista brasileiro Martinho da Vila para uma parceria musical que originou uma digressão pelo Brasil, depois seguiram-se convites para digressões pela Europa, EUA, Macau, Moçambique, Cabo-Verde, etc.

Já em 2005, numa nova fase da sua carreira, Don Kikas juntou alguns dos melhores músicos do mercado para gravar o álbum 'Viagem', editado em 2006 pela sua própria editora AMG (Angola Music Group). Um álbum duplo, que viaja entre as sonoridades modernas e dançantes como a kizomba e o zouk (CD1), passando pelas tradições do Semba, da kazukuta e do kilapanga (CD2). Mais uma vez, um encontro com dezenas de músicos e amigos de várias origens para fazer um disco com a alma em Angola. Na sua carreira, Don Kikas tem pisado palcos por todo o mundo, tem feito parcerias musicais com vários artistas de renome nacional e internacional, compõe para si e para muitos outros.

Por: Akanda