Martinelli, suspeito de ter comprado um grupo de comunicação social com dinheiro público durante o seu mandato (2009-2014), foi interrogado pelo departamento responsável pela luta contra o crime organizado.

“A lei está a ser violada em meu prejuízo, a Constituição e os tratados internacionais estão a ser violados (…). Estes casos contra mim são fabricados. É realmente uma perseguição política”, disse Ricardo Martinelli à imprensa antes da audiência.

O antigo chefe de Estado, que foi extraditado pelos Estados Unidos, já foi absolvido em 2019 das acusações de espionagem aos seus opositores no Panamá e no estrangeiro, depois de ter cumprido dois anos de prisão preventiva.

Já o ex-presidente Juan Carlos Varela (2014-2019) foi ouvido sobre o alegado financiamento ilegal de campanhas eleitorais pelo grupo brasileiro Odebrecht, acusado de pagar milhões de dólares em subornos em toda a América Latina para ganhar contratos.

“Vim para responder à notificação do Ministério Público e para responder a quaisquer perguntas que me possam ser feitas”, disse Varela.

A notificação dos dois ex-presidentes “pode significar, se alguém for um pouco otimista, que as instituições se estão a impor e que ninguém está acima da lei”, disse à AFP o chefe da organização não-governamental (ONG) anticorrupção Transparency International do Panamá, Carlos Barsallo.

No entanto, “sendo realistas e prudentes, e tendo em conta as experiências anteriores”, a ONG considera que se deve “esperar para ver resultados reais e definitivos”, sublinhando que no Panamá tem existido até agora “impunidade”.

“As ações contra a impunidade e a corrupção estão a ganhar força”, afimou à AFP o presidente da Pro Justicia Civic Alliance, Carlos Lee.

Os dois ex-presidentes de direita ouvidos ontem foram antigos aliados políticos: Varela era o parceiro de candidatura de Martinelli quando este foi eleito em 2009. Em 2011, Varela foi demitido do Governo de Ricardo Martinelli.

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