Um anfiteatro histórico da Universidade da Sorbonne encheu-se de pessoas para ouvir Dilma Rousseff, antiga presidente do Brasil destituída por um “impeachment”. Com bandeiras do Brasil e uma faixa a dizer “Lula Livre”, Dilma Rousseff chegou à sala e foi ovacionada com uma longa salva de palmas.

O decano da instituição e universitários saudaram a sua coragem, denunciaram o “golpe” que a tirou do poder, as “ameaças” que pairam na educação brasileira com o novo governo e o “período negro” que vive o Brasil na era Bolsonaro.

Depois de discorrer sobre as razões que levaram à sua destituição e louvar todas as medidas de Lula da Silva que “tiraram o Brasil da pobreza”, a antiga Presidente trouxe uma mensagem clara a Paris: pedir solidariedade para que libertem Lula da Silva.

Dilma Rousseff também denunciou que o novo Presidente, Jair Bolsonaro “nao tem o chip da moderaçao”, classificou-o de “neofascista” porque “não é nacionalista porque bate continência aos Estados Unidos” e lamentou todos os ataques misóginos dele contra as mulheres, nomeadamente a primeira-dama francesa, Brigitte Macron, a antiga Presidente chilena e Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e ela própria.

A antiga chefe de Estado também sublinhou que “o Brasil é o segundo maior país negro do mundo” e que “o controlo violento da população é um traço da escravidão”. ”É importante saber que o nosso povo é produto de 350 anos de escravidão e que a elite brasileira é produto também de escravidão, a classe méia também. Os brancos pobres eram geralmente os executores da escravidão e o controlo violento da população é um traço da escravidão“, defendeu.

Dilma Rousseff também participou no sábado na “Fête de l’Humanité”, evento organizado pelo jornal comunista L’Humanité em La Courneuve, nas imediações de Paris, e esteve esta segunda-feira numa conferência sobre “a crise da democracia na América Latina e no mundo” no Instituto de Ciências Políticas de Paris.

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