Comemora-se hoje o Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor, uma data instaurada pela UNESCO em 1996.

Foi a 23 de Abril que Cervantes, Shakespeare, Inca Garcilaso de La Veja e Vladimir Nabokov, entre outros, nasceram ou morreram.

O Dia Mundial do Livro é uma homenagem a estes escritores e um incentivo à leitura. Mas como estão os hábitos de leitura hoje em dia? No ritmo a que vivemos, será que há mais ou menos leitores?

José Eduardo Agualusa é peremptório ao afirmar que “muito pouca gente lê em Angola”. No caso de Angola, um dos grandes problemas é o preço, aponta o escritor angolano de renome internacional: “Há livros que em Portugal custam 20 euros e aqui não menos de 50”.

Para Agualusa, as taxas alfandegárias são “um imenso disparate” que deveria ser abolido. Além disto, as autoridades “deveriam também esforçar-se por criar uma boa rede de bibliotecas públicas”.

Agualusa considera importante esta mudança nos hábitos de leitura. E conclui que “não pode haver desenvolvimento sem se criarem hábitos de leitura, e se valorizar o livro e os seus autores”.

A escritora moçambicana Elsa de Noronha partilha do desencanto de Agualusa. “Antes da independência, pouquíssima gente sabia ler. Agora, já mais pessoas sabem ler, mas o que é certo é que os livros continuam nos escaparates”.

Há muito a fazer para incrementar os hábitos de leitura. “Os livros são caros e não há acesso ao livro”, queixa-se Elsa de Noronha. “Eu para editar um livro vi-me doida porque não há subsídios nem empréstimos, nada disso!”

Já em Cabo Verde, Dina Salústio considera, em oposição aos outros dois escritores, que as novas tecnologias são uma mais-valia. Hoje, “os cabo-verdianos lêem mais porque têm acesso à internet onde podem ler pensamentos, fracções de texto e opiniões”.

Segundo a escritora cabo-verdiana, os hábitos de leitura estão a melhorar, graças “às feiras, às bibliotecas mais modernizadas e à maior capacidade de motivação”.

No entanto, Dina Salústio aponta críticas ao plano de motivação: “a escola tem que ser mais motivante e devia haver mais concursos, mais desafios e jogos de leitura”.

Por isso, não se esqueça, hoje, Dia Mundial do Livro, que ler faz bem ao ego.

Helga Costa

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