Assinado a 13 de setembro do ano passado, o acordo que define o quadro jurídico relativo à cooperação entre as partes, foi evocado pela secretária da Presidência para a área social, Maria de Fátima Viegas, confrontada com uma das formas que os católicos encontraram para homenagear o Bispo Emérito de Benguela, Dom Óscar Braga.

O reforço da luta por um património ao serviço de departamentos ministeriais ou unidades de polícia foi assumido pelo líder da Igreja na província do Bié, Dom José Nambi, um dos três bispos saídos de Benguela ao longo dos 45 anos de episcopado de Óscar Braga, que foi a enterrar no sábado, 30.

“Somos herdeiros desta luta, principalmente a Diocese de Benguela. É verdade que vamos reclamar o património eclesiástico, mas também temos de dialogar com as autoridades’’, anuncia o bispo.

Esta forma de eternizar a obra do Bispo Emérito, que morreu aos 89 anos, será objecto de diálogo com as autoridades, conforme assegura a secretária da PR para a área social, Fátima Viegas.

“O acordo-quadro entre Angola e a Santa Sé diz tudo’’, sintetiza Viegas, integrante da delegação governamental que esteve no Vaticano.

Entretanto, o evangelista João Guerra, que integrou o movimento pro pace, diz que tem muitas dúvidas e aponta alternativas.

“Isto é ‘enforcar-se’, será que os governadores provinciais aceitarão deixar os seus palácios para entregar ao bispo de uma diocese? Uma das coisas que devem fazer, já que muito património está deteriorado, é reconstruir e até mesmo erguer, o Estado beneficiou-se muito’’, afirma Guerra, lembrando que até as igrejas funcionaram como comandos.

“O mais importante é dar dignidade à Igreja, é o melhor património’’, sustenta o evangelista.

As relações diplomáticas entre Angola e o Vaticano foram instituídas a 8 de Julho de 1997.

Daqui a três anos, os restos mortais de Dom Óscar Braga, natural de Malanje, farão um percurso inverso, saindo do cemitério da Camunda para a Sé Catedral, onde se encontra o primeiro bispo da Diocese de Benguela, Dom Amaral dos Santos, seu antecessor.

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