O advogado de Alex Saab Morán, José Manuel Pinto Monteiro, disse à agência de notícias Lusa que a detenção do seu cliente foi uma “decisão política”, num “acto intencional do Estado” cabo-verdiano que “escolheu um lado”, referindo-se aos diferendos políticos, económicos e diplomáticos entre a Venezuela e os Estados Unidos da América.

José Manuel Pinto Monteiro garantiu também à Radio de Cabo Verde que vai recorrer da decisão do tribunal: «Temos um prazo para recorrer, estamos dentro do prazo. Há países que estão preocupados com esta situação, relativamente poderosos e com relação a Cabo Verde. Eles têm mostrado preocupação com a situação ocorrida, que coloca em perigo as relações entre os Estados e o próprio direito internacional».

Entretanto, a ex-procuradora-geral da Venezuela anunciou à agencia de notícias Lusa que vai enviar às autoridades de Cabo Verde a cópia de uma investigação feita pelo Ministério Público venezuelano sobre o empresário Alex Saab Morán. Luísa Ortega Díaz afirma que em 2017 já tinha denunciado o empresário, que é considerado um testa-de-ferro do Presidente Nicolás Maduro. Ortega Díaz, que vive em parte incerta, reconheceu que a detenção de Alex Saab representa um duro golpe para todos aqueles que ajudam Nicolás Maduro a manter-se no poder.

A Venezuela já veio dizer que a detenção de Alex Saab Morán foi «ilegal» e pede a libertação imediata do empresário.

Os Estados Unidos da América acusam o empresário de ser o testa-de-ferro de Nicolás Maduro, todavia essa informação não consta em nenhum processo judicial e o Presidente da Venezuela nunca foi alvo de qualquer acusação relacionada com o empresário colombiano.

Alex Saab Morán, de nacionalidade colombiana e venezuelana, foi detido no sábado pela Interpol e pelas autoridades cabo-verdianas, com base num mandado de captura internacional emitido pelos Estados Unidos, quando o seu avião fez uma paragem para reabastecimento,na ilha do Sal, num voo de regresso para o Irão, após uma viagem à Venezuela.

As autoridades norte-americanas têm agora 18 dias para pedir a extradição de Alex Saab Morán às autoridades cabo-verdianas.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.