Investigadores da Universidade de Hong Kong descobriram um fármaco que impede a propagação do vírus da gripe, do VIH ou da síndrome respiratória aguda severa (SRAS), noticiou hoje o jornal China Daily.

De acordo com o diário chinês em língua inglesa, este fármaco poderá vir a ser uma alternativa a antivirais como o Tamiflu.

A pesquisa, desenvolvida nos últimos quatro anos na antiga colónia britânica, permitiu descobrir um fármaco, designado "nucleozin", que ataca as proteínas nucleares do vírus, interrompendo o seu ciclo de vida e, consequentemente, a sua reprodução, evitando a propagação para células saudáveis.

Os testes realizados a ratos de laboratório revelaram a eficácia do "nucleozin" na prevenção do vírus H5N1 (ou gripe das aves) através da utilização de mais de 50 mil moléculas químicas diferentes em amostras do vírus.

"Temos uma nova arma para combater a resistência de vírus que é uma alternativa a antivirais como o Tamiflu e o Relenza", disse aos jornalistas um dos investigadores Richard Kao, ao sublinhar que o tratamento poderá aplicar-se a outros vírus além do H5N1, como o H1N1 (ou gripe A), HIV e SRAS, para os quais não existem ainda drogas capazes de os combater eficazmente.

Serão necessários alguns anos de testes clínicos, que implicarão custos entre os 800 e os 8000 milhões de euros, até o fármaco possa ser comercializado, salientou um investigador e responsável pelo departamento de microbiologia da Universidade de Hong Kong, Yuen Kwok-yung.

Acrescentou que a universidade está em contacto com um grupo de investidores e com farmacêuticas para poder vir a transformar a descoberta, publicada esta semana na revista científica "Nature Biotechnology", num tratamento tangível.

Quase todas as estirpes do vírus H1N1 que circulavam nos Estados Unidos nas épocas de pico da gripe, entre 2008 e 2009, eram resistentes ao Tamiflu e mais de metade dos pacientes infectados com o vírus H5N1 morreram apesar dos tratamentos.

Foram registadas mais de 18 mil mortes por gripe A H1N1 em 214 países, de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde relativos a 2009.

Fonte: SIC/Lusa

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