Albertina Navita Ngola, que assume atualmente funções de líder da bancada parlamentar da União para a Independência Total de Angola (UNITA), principal partido da oposição, espera que o Presidente da República traga resultados concretos da sua governação, em termos dos indicadores económicos e sociais e não apenas "meros anúncios".

"Vemos que, cada vez mais, a vida do cidadão está degradada, a economia está quase na quarta recessão. Precisamos que ele nos diga quais os resultados dos programas que foi anunciando nos últimos dois anos, como o PRODESI [Programa de Apoio à Produção, Diversificação de Exportações e Substituição das Importações], os PAPE [Plano de Acção e Promoção da Empregabilidade], o programa de financiamento do empresariado nacional e do PIIM (Programa de Intervenção Municipal)", disse, à chegada à Assembleia Nacional

"É prioridade para nós recuperar o pacote legislativo autárquicos que consideramos estruturante para a democracia em Angola", continuou, apontando a discussão do Orçamento Geral do Estado (OGE) como o próximo desafio.

"Queremos um OGE divorciado do paradigma anterior, que dê mais atenção à diversificação da economia, com mais dotações para setores estruturantes como a agricultura, as pescas, a indústria transformadora, a hotelaria e turismo, o comércio e a investigação científica e o desenvolvimento humano, com mais verbas para a educação e saúde", elencou a deputada da UNITA.

"Vai falar certamente de problemas políticos, económicos e sociais", mas também de projetos "que podem melhorar as condições de vida da população", destacou por seu lado Luísa Damião, vice-presidente do MPLA, o partido no poder.

"Penso que ir falar da reforma da justiça, da reforma da administração do Estado, do programa integrado dos municípios, que tem em vista a melhoria das condições de vida da população", declarou aos jornalistas escusando-se a responder se o Presidente deverá abordar o tema do desemprego.

Quanto ao pacote legislativo das autárquicas, assinalou que "estamos a caminhar no sentido de preparar as condições para que as eleições autárquicas se possam efetivar em 2020",

"Não devemos fazer fé em especulações segundo as quais o MPLA tem medo de realizar eleições autárquicas", refutou.

Também o presidente do grupo parlamentar da coligação CASA-CE acredita que o foco de João Lourenço vão ser as questões internas "que tem estado a apoquentar a população"

"Há uma visibilidade diferente de Angola fora do país, muito bem, mas temos um pais roto. Neste momento apelamos ao presidente da República para prestar maior atenção a questões internas e políticas sociais", disse Alexandre Sebastião André

Salientou que "a juventude está em desespero" e que é necessário criar "condições para absorção desta grande força porque é a juventude que constrói um país". Para tal, "é necessário que o tecido económico se torne robusto" sublinhou, apelando a que o Estado pague as suas dividas aos empresários nacionais para que as empresas se tornem robustas e criem postos de trabalho.

No exterior do edifício da Assembleia, decorre uma manifestação contra o desemprego e exigindo medidas do governo que combata a crise económica do país.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.