João Lourenço exonerou, segunda-feira, o comissário Eduardo Octávio do cargo que vai agora ocupar Fernando Miala, preso durante a presidência de ex-Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

"Fomos buscar alguém que, como poucos, passou praticamente por todos os serviços de inteligência no nosso país", disse João Lourenço na cerimónia hoje de tomada de posse de Fernando Miala, que antes do ato o promoveu, por inerência de funções, ao grau de general.

O Presidente angolano referiu na sua breve intervenção que apesar de ter sido nomeado numa conjuntura de paz, Fernando Miala não "deixa de ter grandes desafios".

"E por isso nós contamos consigo, porque os serviços de inteligência são algo de muito importante para a garantia da defesa e da soberania de qualquer país", disse João Lourenço.

Numa informação tornada pública segunda-feira, a Casa Civil do Presidente da República diz que Fernando Miala foi nomeado "depois de ouvido o Conselho de Segurança Nacional", que se reuniu a 09 de Março.

O novo responsável do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado, que até por altura da sua nomeação ostentava a patente de tenente-general, foi durante a presidência de José Eduardo dos Santos, a 20 de Setembro de 2007, antigo director dos Serviços de Inteligência Externa de Angola (demitido um ano antes).

Fernando Miala chegou a ser condenado a quatro anos de prisão efectiva pelo Supremo Tribunal Militar (STM), pelo crime de insubordinação, tendo cumprido a pena.

Três outros colaboradores de Fernando Miala foram condenados a dois anos e ses meses de prisão efectiva.

Os arguidos foram acusados de prática de crime de insubordinação, por não terem comparecido numa cerimónia de desgraduação no Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, por ordem do seu chefe, o general Francisco Furtado.

Miala foi igualmente acusado de interferir nas missões de escolta do chefe de Estado, de realizar escutas não autorizadas, além do furto de aparelhos de escuta, e de se envolver em relações alegadamente "promíscuas" com membros da comunicação social, mas estes crimes não ficaram provados em tribunal.