Mais financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI), emissões de dívida soberana e ajuda externa para financiar as contas públicas durante a crise provocada em Angola pela expansão do novo coronavírus. É o cenário traçado pela consultora Oxford Economics.

"Infelizmente, as autoridades encontram-se numa situação com pouca margem para estimular a economia seja através da política orçamental, seja através da política monetária", escreveram os analistas numa nota sobre o país, citada pela Lusa.

Na análise, a Oxford Economics afirma que "o Governo vai ter de rever em baixa a despesa orçamental e terá de depender dos fluxos de investimento direto estrangeiro, mais desembolsos do FMI, emissões de Eurobonds e ajuda externa para financiar o défice externo".

E "para tornar as coisas ainda piores, a pandemia global da Covid-19 e o início das infeções forçou o Governo a impor uma quarentena de 15 dias", escreve a Oxford Economics, depois de na semana passada a Standard & Poor's (S&P) ter descido o rating do país, de B- para CCC+, por causa da queda abrupta dos preços do petróleo e do agravamento dos défices externo e orçamental.

A Oxford Economics acredita que, depois da S&P e também da Fitch, no princípio do mês, e da, também a Moody's deverá baixar o rating nos próximos tempos. "É razoável antecipar que a habitualmente mais lenta Moody's também corte o rating em um nível nos próximos meses", concluíram os analistas.

Crescimento e dívida "drasticamente" revistos

A consultora anunciou também que vai rever "drasticamente em baixa" as previsões económicas para Angola, antecipando para este ano uma recessão maior que 2% e um desequilíbrio negativo na balança orçamental e corrente.

"Vamos rever drasticamente em baixa a previsão de crescimento económico e as métricas da dívida, já que esperamos que o crescimento económico registe uma contração de mais de 2% em 2020 e que o saldo orçamental e corrente registe défices, ao invés dos excedentes que prevíamos", lê-se na análise.

No documento, a Oxford Economics sugere que Angola está a enfrentar uma espécie de tempestade, com a quebra dos preços do petróleo exacerbada pela guerra de preços entre a Rússia e a Arábia Saudita, a redução drástica do comércio internacional e da procura de petróleo, a que se junta o corte decretado na atividade económica local por via das restrições à mobilidade para conter a propagação do novo coronavírus.

"Enquanto estiver em efeito, o fecho de fronteiras vai ter um efeito adverso significativo, embora talvez temporário no comércio e na atividade económica e vai empurrar os preços para cima devido à escassez", apontam os analistas.

No texto, os analistas lembraram que "a guerra de preços no petróleo é um golpe devastador para a economia, já que os hidrocarbonetos valem 96% das exportações, cerca de 33% do PIB e 60% da receita governamental", concluindo que o apoio contemplado no programa de assistência do Fundo Monetário Internacional não vai ser suficiente para "salvar a economia das consequências da guerra de preços".

Luanda reconhece dificuldades

A ministra das Finanças de Angola, Vera Daves, reconheceu já no final da semana passada a dimensão do problema que o país enfrenta, tendo anunciado que ia lançar um orçamento retificativo que contempla o preço do petróleo abaixo dos 35 dólares, face aos 55 previstos para este ano.

Vera Daves admitiu também que economia dificilmente escapará a mais um ano de crescimento negativo, anunciando igualmente um conjunto de medidas para enfrentar a crise económica.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 750 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 36 mil. O número de mortes em África subiu para pelo menos 152, com 4.871 infetados acumulados em 46 países, segundo as estatísticas mais recentes.

por: Agência Lusa, ms

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