“A parceria com África é uma prioridade para o presidente Michel e nós estamos a trabalhar com vista à organização da cimeira UE-UA este ano”, respondeu hoje uma fonte do gabinete do presidente do Conselho à Lusa, quando questionado sobre um possível adiamento da cimeira devido à pandemia da COVID-19.

Ainda sem data fixada, a VI cimeira UE-África está apontada para outubro próximo, durante a presidência alemã do Conselho da União Europeia, no segundo semestre do ano, e sob a presidência sul-africana da União Africana, iniciada em fevereiro passado.

Uma das razões para a cimeira ter lugar em 2020, e não no primeiro semestre de 2021, durante a presidência portuguesa do Conselho da UE, é o facto de os primeiros meses de 2021 serem de alterações institucionais importantes, com a eleição de uma nova Comissão da União Africana (a atual presidência sul-africana prolonga-se por um ano, até fevereiro do próximo ano), o que dificultaria os trabalhos.

No entanto, a pandemia da COVID-19 já levou, por exemplo, ao pedido de adiamento para 2021 da cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que estava prevista para setembro próximo, mas que deverá realizar-se apenas em julho do próximo ano, em Luanda, e a realização da VI cimeira UE-UE em outubro em Bruxelas dependerá sempre da evolução da situação.

Em dezembro de 2019, numa altura em que a cimeira já estava apontada para 2020, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, deu conta aos seus homólogos da UE da disponibilidade de Portugal para acolher a próxima cimeira UE-UA no início de 2021.

Na ocasião, Santos Silva garantiu que não havia qualquer “braço de ferro” com a Alemanha, até porque a marcação da cimeira é da competência do presidente do Conselho Europeu e da União Africana, e que Portugal não sentiria qualquer “dissabor” caso não acolhesse a próxima cimeira com África, mas ainda assim recordou que a primeira cimeira teve lugar em 2000, durante uma presidência portuguesa, e a segunda — a primeira em solo europeu — realizou-se em 2007, em Lisboa, novamente durante a presidência portuguesa.

“Basta esse registo para perceber que Portugal tem provas dadas neste domínio”, comentou, ainda que insistindo que “para Portugal, é mais importante a substância da relação da Europa, com África, do que propriamente saber onde e quando se realiza a cimeira”.

No início de março passado, a Comissão Europeia apresentou a sua proposta para a nova estratégia com África, baseada numa cooperação reforçada nos domínios da transição ecológica, transformação digital, crescimento sustentável e emprego, paz e governação, e migração e mobilidade.

A comunicação adotada pelo executivo comunitário, e apresentada em conferência de imprensa pelo vice-presidente e Alto-Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, e pela comissária responsável pelas Parcerias Internacionais, Juta Urpilainen, é o contributo do lado europeu para as negociações sobre a nova estratégia conjunta que deverá ser adotada na cimeira entre União Europeia e União Africana.

Recentemente, o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, alertou para a necessidade de a Europa ajudar África a combater a pandemia,

“São nossos vizinhos e a pandemia lá pode sair de controlo muito rapidamente. Infelizmente, não têm as mesmas capacidades de cuidados de saúde. Lembrem-se simplesmente que na Europa temos 37 médicos por 10 mil habitantes, enquanto em África têm um médico por 10 mil habitantes”, apontou, acrescentando que se se comprar “o número de camas em hospitais ou de unidades de cuidados intensivos” dos dois continentes, a diferença é tanto ou mais “esmagadora”.

“Por isso, é óbvio que a mesma ameaça pode fazer muitos mais danos em África do que na Europa. Nós temos de ajudar África no nosso próprio interesse, porque se a pandemia se espalhar lá, pode muito bem regressar à Europa”, reforçou.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou quase 345 mil mortos e infetou mais de 5,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 2,1 milhões de doentes foram considerados curados.

Por regiões, a Europa soma mais de 174 mil mortos (mais de dois milhões de casos) e África mais de 3.300 mortos (mais de 111 mil casos).

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