“Gostaria de agradecer à Organização Mundial da Saúde (OMS) e ao sistema das Nações Unidas que têm apoiado o nosso país nessa pandemia e reforçar o pedido de ajuda aos parceiros bilaterais e multilaterais para que não venham a morrer muito mais pessoas por falta de condições técnicas, económicas e financeiras, durante e pós pandemia”, disse Evaristo Carvalho em mensagem ontem a nação.

Informações divulgadas pelo Ministério da Saúde indicam que o país acumulou até sábado 479 infeções e 12 óbitos, incluindo sete pacientes internados no hospital de campanha e quatro outras pessoas internadas no serviço sintomático respiratório.

O presidente são-tomense decreta esta segunda-feira a prorrogação, pela quinta vez, do estado de emergência, até 15 de junho, justificando o facto com “o número assustador de casos positivos em crescimento diário no país e a explicação pouco convincente”.

Em mensagem ao país, Evaristo Carvalho reconheceu que há já “75 dias que o país se encontra praticamente parado devido à COVID-19″, defendendo, no entanto, que há uma “fragilidade organizativa” dos serviços de saúde.

O chefe de Estado são-tomense refere que há “sinais de melhoria de capacidade técnica em meios humanos, material e equipamentos”, reconhecendo, contudo, a “necessidade absoluta de tempo para aferição de equipamentos e início de trabalho consistente de vigilância, avaliação, programação e testagem massiva”.

Para Evaristo Carvalho, o nível atual de infeção por COVID-19 no país reclama a “urgência na determinação das situações epidemiológicas e de contágio a todos os níveis, local, distrital, regional e territorial”.

Na mensagem ao país, que antecede o decreto presidencial a anunciar a prorrogação do estado de emergência, cujo último dia terminaria ontem, Evaristo Carvalho disse ter a convicção de que essa ações “resultarão em melhor conhecimento da situação sanitária do país”.

O governante renovou o apelo à população para “uma melhor compreensão, adesão e respeito de cada um e de todos” pelo cumprimento das medidas de emergência impostas pelas autoridades sanitárias e de segurança pública.

“As regras de prevenção e de combate ao novo coronavírus valem para todos e sem exceção”, explicou Evaristo Carvalho.

Chegou ontem a São Tomé e Príncipe uma equipa de 12 especialistas chineses no combate à COVID-19, no âmbito do acordo bilateral entre São Tomé e China e outros contratados pela OMS.

“Nós queremos mostrar a nossa solidariedade com o povo de São Tomé e Príncipe”, disse o embaixador chinês Wang Wei sublinhando que a deslocação dessa equipa de médicos especialistas chineses “responde a uma solicitação das autoridades” são-tomenses.

A ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, que se deslocou ao aeroporto para receber os médicos chineses, garantiu que “a pandemia está numa fase crescente”, considerando que essa missão chinesa é composta de técnicos que “mais fazem falta”.

Entre os 12 médicos chineses estão especialistas em epidemiologia, infeciologistas, pneumologistas, intensivistas, enfermeiras, e técnicos de análises e diagnóstico.

“Pensamos que a partir de agora temos um quadro de técnicos nacionais e estrangeiros para formular uma nova forma de atuar face à pandemia que assola o nosso país”, disse Elsa Pinto.

Em África, há 4.179 mortos confirmados em mais de 145 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné Equatorial lidera em número de infeções (1.306 casos e 12 mortos), seguida da Guiné-Bissau (1.256 casos e oito mortos), Cabo Verde (435 casos e quatro mortes), São Tomé e Príncipe (479 casos e 12 mortos), Moçambique (254 casos e dois mortos) e Angola (86 infetados e quatro mortos).

O país lusófono mais afetado pela pandemia é o Brasil, com 27.878 mortos e mais de 465 mil contaminados, sendo o segundo do mundo em número de infeções, atrás dos Estados Unidos (1,7 milhões) e à frente da Rússia (mais de 405 mil).

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