No aeroporto de Lisboa, à margem do carregamento de um avião que levará 20 toneladas de material para São Tomé e Príncipe, a secretária de Estado assinalou que tem havido uma interação entre Portugal, PALOP e Timor-Leste, mas que neste momento não há pedidos concretos destes países, devido à COVID-19.

Teresa Ribeiro assinalou que Portugal tem enviado algum material para a realização de testes à COVID-19, incluindo em voos comerciais, mas que uma operação semelhante à que parte na manhã de sexta-feira para São Tomé e Príncipe requer “um conjunto mais significativo de materiais”.

Esta iniciativa, desenvolvida a pedido do Estado de São Tomé e Príncipe e que recorre a uma ponte aérea humanitária criada no quadro da União Europeia, irá levar 20 toneladas de material para este arquipélago lusófono – incluindo um laboratório para testes oferecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), material de proteção individual, como máscaras, luvas, óculos, viseiras, mangas, sapatos e fatos, medicamentos, gel e álcool –, assim como vários profissionais do setor da saúde, incluindo uma equipa de quatro elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Segundo Teresa Ribeiro, o envio destes recursos resulta de uma “aliança virtuosa entre o plano bilateral, o plano da União Europeia, e o plano multilateral, porque está aqui material que é da OMS”.

“Juntámos todos os recursos que queríamos colocar em São Tomé e Príncipe e aproveitámos a criação deste mecanismo no quadro da CE, que é a ponte humanitária, para utilizar um avião que põe lá esse material”, explicou a governante.

A secretária de Estado acrescentou que atualmente há uma “enorme dificuldade em fazer chegar recursos que são indispensáveis para esses países combaterem a pandemia”.

Nesse sentido, e apesar de não haver pedidos concretos, a secretária de Estado afirmou que o executivo está a “preparar um programa de maior envergadura”, mas não avançou mais detalhes.

Da mesma forma, Teresa Ribeiro acrescentou que esta iniciativa poderá repetir-se, caso “se justifique”.

“Sempre que se justifique, pelos recursos envolvidos, a realização ou o acionar de meios como estes, com certeza que o faremos”, vincou a secretária de Estado.

Teresa Ribeiro apontou que Portugal tem atuado de diferentes maneiras no apoio à pandemia, tendo feito “contribuições extraordinárias para responder ao apelo do secretário-geral das Nações Unidas”.

“Estou a falar, por exemplo, na OMS, na Organização Internacional para as Migrações, no Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, no Programa Alimentar Mundial, no Fundo das Nações Unidas para a População. Fizemos contribuições para, no plano multilateral, podermos dar o nosso contributo. Quando o fizemos, privilegiámos sempre e consignámos sempre as nossas contribuições, na sua maior parte, para os PALOP e Timor-Leste”, expôs a secretária de Estado.

A partida do Boeing 767-300ER da euroAtlantic airways do aeroporto de Lisboa está prevista para as 06:30 de sexta-feira, devendo, no regresso, transportar 205 cidadãos europeus.

A secretária de Estado referiu que estes “foram aqueles que se inscreveram” e que se houver necessidade de um outro voo, “haverá lugar à sua realização”.

O embaixador de São Tomé e Príncipe em Portugal, António Quintas do Espírito Santo, enalteceu o trabalho das entidades envolvidas, em particular “o dinamismo do Governo português e da Presidência da República”.

“Não podemos falar em cenários. A partir de agora vamos poder ter instrumentos de mensuração, instrumentos estatísticos a trabalhar, e em consonância com a nossa capacidade reforçada de fazermos as análises”, disse o embaixador.

António Quintas do Espírito Santo sublinhou a importância do material que será enviado para São Tomé e Príncipe e acrescentou que é complicado para as autoridades de saúde são-tomenses estabelecerem cenários, uma vez que ainda não dispõem de “meios de diagnóstico organizados e prontos para enfrentar esta pandemia”.

“Não podemos falar em cenários. A partir de agora vamos poder ter instrumentos de mensuração, instrumentos estatísticos a trabalhar, e em consonância com a nossa capacidade reforçada de fazermos as análises”, vincou.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 297 mil mortos e infetou mais de 4,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,5 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou agora a ser o que tem mais casos confirmados (1,88 milhões contra 1,81 milhões no continente europeu), embora com menos mortes (113 mil contra 161 mil).

Em África, há 2.475 mortos confirmados, com quase 72 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné-Bissau lidera em número de infeções (913 casos e três mortos), seguindo-se a Guiné Equatorial (439 casos e quatro mortos), Cabo Verde (315 casos e duas mortes), São Tomé e Príncipe (231 casos e sete mortos), Moçambique (115 casos) e Angola (45 infetados e dois mortos).

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