"Enquanto chefe do Governo e humilde servidor público, continuo a pautar pela verdade, transparência, abnegação, firmeza e, mesmo em momentos difíceis da nossa história coletiva, como agora nesta pandemia de COVID-19, prometo não quebrar o compromisso sagrado que assumi com o povo de São Tomé e Príncipe", disse Jorge Bom Jesus numa comunicação ao país.

Em declarações na terça-feira aos jornalistas, o antigo Presidente são-tomense Manuel Pinto da Costa acusou o Governo de não estar preparado para lidar com a pandemia, de estar "completamente desorganizado" e de estar "improvisando as coisas", considerando também que São Tomé e Príncipe não tem líder.

Na comunicação ao país, Jorge Bom Jesus acusou o antigo Presidente Manuel Pinto da Costa de aproveitar-se da pandemia para tirar proveito para as presidenciais de 2021.

"A semelhança de outros países e exemplos de boas práticas, o que São Tomé e Príncipe precisa neste momento é de união e serenidade, de gente que ajude o Governo a salvar vidas dos são-tomenses. Depois de resolvermos o problema da saúde pública causada pela COVID-19, haverá tempo suficiente para o covid político das presidenciais de 2021", disse o chefe do executivo.

"Há um momento para tudo. Para a paz, para a guerra, para construir, para destruir, ajudar, atrapalhar, matar e salvar, sem precisar de nenhum governo de salvação nacional", acrescentou Jorge Bom Jesus.

Segundo o primeiro-ministro, “os momentos difíceis, históricos, filtram, enaltecem e absorvem os verdadeiros patriotas, mas desvendam os oportunistas", lembrando que o Governo tem "feito tudo" para melhorar "cada dia que passa o nível diagnóstico, epidemiológico e clínico".

Jorge Bom Jesus lamentou ainda que "a maior fraqueza" em todo este processo de combate e controlo da pandemia de COVID-19 no país "residiu na falta de um laboratório para testes PCR e sua massificação", associado ao que considerou de "comportamento nada responsável de muitos cidadãos que não acreditam na doença e, por conseguinte, não acatam as medidas restritivas do Governo".

O chefe do executivo anunciou que na sexta-feira o Governo vai participar numa reunião para fazer o balanço do quinto estado de emergência, que termina no fim de semana. A reunião é presidida pelo chefe de Estado, Evaristo Carvalho.

"Vamos analisar com o devido cuidado e atenção a situação atual e o impacto desta crise no nosso país para decidir o próximo passo: voltar a prorrogar o estado de emergência ou reduzir o nível de alerta para uma calamidade pública com o consequente desagravamento paulatino das medidas de restrição", referiu o primeiro-ministro.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 350 mil mortos e infetou mais de 5,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné-Bissau lidera em número de infeções (1.195 casos e sete mortos), seguindo-se a Guiné Equatorial (1.043 casos e 12 mortos), Cabo Verde (390 casos e quatro mortes), São Tomé e Príncipe (443 casos e 12 mortos), Moçambique (227 casos e um morto) e Angola (73 infetados e quatro mortos).

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