“Não há carvão limpo e o carvão não tem lugar nos planos de relançamento racionais”, disse Guterres, num discurso proferido à distância num evento promovido pela Universidade Tsinghua, em Pequim.

“Temos de deixar de desperdiçar dinheiro em subsídios a combustíveis fósseis e no financiamento do carvão”, reforçou o secretário-geral da ONU.

Numa altura em que o carvão é considerado como a fonte de energia mais nociva para o ambiente, “é profundamente preocupante que novas centrais elétricas alimentadas a carvão ainda estejam a ser planeadas e financiadas”, acrescentou.

Estas palavras de Guterres surgem numa altura em que a China é suspeita de querer impulsionar a produção de carvão para relançar a economia do país, que sofreu uma desaceleração por causa da pandemia do novo coronavírus, cujos primeiros indícios surgiram no final de 2019 no território chinês.

Segundo um relatório internacional publicado em junho, a China aumentou os projetos de centrais elétricas a carvão em 21% nos primeiros seis meses do ano.

A capacidade energética do país (em construção ou prevista) relacionada com este recurso excede a produção atual dos Estados Unidos ou da Índia, de acordo com o mesmo documento, assinado pelo Global Energy Monitor e o Centre for Research on Energy and Clean Air.

“A China provou ser um parceiro essencial na adoção e ratificação do Acordo de Paris (sobre as alterações climáticas)”, alcançado em dezembro de 2015 na capital francesa, disse Guterres.

“Mas cinco anos depois, os objetivos de Paris correm o risco de se tornarem inalcançáveis”, concluiu o secretário-geral na mesma intervenção.

No ano passado, o carvão representou 57,7% do balanço energético chinês, menos 1,5 pontos percentuais em comparação a 2018.

Como o consumo total de energia do país, entretanto, aumentou, o consumo de carvão também cresceu 1%, de acordo os dados estatísticos mais recentes.

Os objetivos do Acordo de Paris assentam numa redução das emissões de gases de efeito estufa, para que o aumento médio da temperatura no planeta seja inferior a dois graus em comparação aos níveis pré-industriais e, tanto quanto possível, abaixo de 1,5 graus até final do século XXI.

No início de julho, António Guterres já tinha pedido aos líderes mundiais que optassem pelo ”caminho das energias limpas” nos respetivos planos de recuperação económica pós-pandemia, exortando a comunidade internacional a proibir o carvão e os apoios aos combustíveis fósseis.

“Vamos assumir hoje o compromisso de que não existirá um novo recurso ao carvão e de que iremos acabar com todo o financiamento externo do carvão nos países em desenvolvimento”, afirmou então o representante da ONU.

Na mesma altura, e dirigindo-se a representantes de vários países reunidos num encontro promovido pela Agência Internacional de Energia (AIE), Guterres já tinha frisado que o carvão “não tem lugar nos planos de recuperação económica pós-COVID-19″.

“Gostaria de apelar a todos os líderes para que escolham o caminho das energias limpas, por três razões vitais: saúde, ciência e economia”, argumentou na mesma ocasião.

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