No local estiveram vários polícias da ordem pública e brigada canina, que dispersaram a manifestação.

Em declarações à agência Lusa, José Pedro Miguel, moto-taxista da zona do Mártires, disse que o objetivo foi apelar às autoridades que olhem para a situação por que estão a passar, já esta atividade é o seu único meio de sobrevivência.

"Queremos saber porque é que os nossos colegas das 17 províncias funcionam e apenas nós estamos proibidos, isso é que nos fez vir reivindicar esse nosso direito", disse.

Segundo José Pedro Miguel, três dos manifestantes foram levados pela polícia, alegadamente "para terem uma conversa no comando provincial", e seis motorizadas foram apreendidas.

"Vamos aguardar que resposta nos vão dar, vamos nos concentrar num sítio à espera dos nossos que foram levados", frisou.

Contactado pela Lusa, o presidente da Associação de Motoqueiros Transportadores de Angola (Amotrang), Bento Rafael, disse que tomaram conhecimento da manifestação quando os mesmos ainda se encontravam na zona da praça da Independência, em direção ao governo da província.

Bento Rafael referiu que esta proibição a nível de Luanda constitui já há bastante tempo uma preocupação da associação, porque "estão há muito tempo proibidos de trabalhar, embora uns, com medo, têm estado a prestar algum serviço, já que é por esta via que eles garantem que se alimentam".

"Para não partirem para atos delituosos, eles têm estado um pouco por Luanda a tentar trabalhar, mas são muitos os constrangimentos que têm estado a passar", frisou o responsável, lembrando que, por um lado, que a polícia tem de cumprir com o que está estatuído, "mas a fome leva as pessoas a saírem à rua para prestar algum serviço".

O presidente da Amotrang realçou que já escreveram a várias entidades a pedir para olharem para a situação, propondo que se contemplasse as pessoas com uma cesta básica.

"Porque é muito complicado, proibidos de trabalhar por tanto tempo, sem ninguém se ocupar sobre o que essas pessoas comem, dá nessas situações, lamentavelmente", disse o responsável.

"Já escrevemos para várias entidades a nível do executivo, mesmo ao próprio ministro dos Transportes, dando conta da situação menos boa que se vive com a proibição do serviço", referiu o presidente da Amotrang, que controla em Luanda 37.000 moto-taxistas.

Por sua vez, o porta-voz do comando provincial de Luanda da Polícia Nacional, Nestor Goubel, disse à Lusa que foi detido apenas um manifestante, por "uma ação de desacato à autoridade", tendo os manifestantes sido persuadidos a abandonar o local sem o uso da força.

Nestor Goubel disse que o início da atividade em Luanda aguarda por regulamento do Governo, pelo que, por enquanto devem respeitar as restrições.

"As forças estavam no terreno, sem medidas repreensivas, não houve espancamento, pura e simplesmente conversámos e persuadimo-los a abandonarem o local, que aquela não era a melhor via", vincou.

De acordo com Nestor Goubel, a polícia estava no terreno para salvaguardar possíveis excessos e desacatos.

A atividade de moto-táxi esteve proibida inicialmente em todo o país, quando foi decretado o estado de emergência em Angola, em 27 de março passado, devido à pandemia de covid-19, depois da declaração do estado de calamidade pública, a mesma foi levantada para as restantes províncias, menos para Luanda, o epicentro da doença, onde se cumpre um cordão sanitário.

Angola tem registados 155 casos positivos de covid-19, dos quais sete pessoas morreram e 64 recuperaram.

Em África, há 7.197 mortos confirmados em mais de 267 mil infectados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

A pandemia de covid-19 já provocou quase 449 mil mortos e infectou mais de 8,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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