René Clarke Cooper, secretário adjunto para o Gabinete de Assuntos Políticos e Militares do governo federal dos Estados Unidos da América (EUA), disse que a pandemia obrigou a uma reavaliação de recursos militares, de defesa e de segurança disponibilizados dentro do país e em assistência a outros países, mas que a obrigatoriedade de cumprimento de certos requerimentos básicos para a existência de acordos de Defesa se mantém.

“Quando projetamos os recursos dos EUA para assistência à segurança internacional, os requerimentos principais não mudaram. O que fazemos agora é avaliar e ter em conta como continuar [com a assistência] e permitir flexibilidade para que parceiros de cooperação em segurança ajustem onde precisam”, explicou o secretário de Estado adjunto.

“Os fundos para assistência à segurança que estão a ser aplicados (…) não desapareceram”, disse Clarke Cooper, quando questionado pela Lusa sobre se vai haver mudanças no apoio prestado pelos EUA a países africanos de língua portuguesa.

O secretário adjunto para Assuntos Políticos e Militares notou que, “olhando para um lugar como Moçambique, onde há afiliados do EI [autodenominado Estado Islâmico], ou para um lugar como a Guiné-Bissau, onde há narcotraficantes, a criação de capacidades para reduzir, mitigar e responder a uma ameaça terrorista ou perigo de crime transnacional não parou”.

“O que mudou é que […] os EUA estão a aproveitar a oportunidade para identificar reformas, refinar processos e reaplicar recursos”, explicou Clarke Cooper, ressalvando que se mantém a “necessidade de reforçar capacidades e habilidades das forças de segurança, inclusivamente o reforço de aplicação das leis” dos países que beneficiam do apoio norte-americano.

O secretário adjunto comentou que, quando se observam o crime transnacional e transregional, “certamente existe uma sobreposição e, em muitos casos, certas linhas de facilitação associadas a terroristas, terrorismo, atores não governamentais e organizações criminosas”.

Sem identificar concretamente a quem se refere, Clarke Cooper sublinhou que “os adversários também são oportunistas” e que os EUA notam que “há atores governamentais que procuram impor-se a outros Estados através do apoio [que prestam]”, tal como atores não governamentais.

As declarações foram feitas ontem à Lusa, numa videoconferência do Departamento de Estado com jornalistas, para discutir de que forma é que os EUA estão a usar ferramentas de apoio à segurança, comércio de defesa e capacidades de manutenção da paz para ajudar aliados e parceiros a responder à pandemia da COVID-19 e “garantir que os Estados Unidos continuem a ser o parceiro de segurança preferido pelas nações do mundo”.

René Clarke Cooper adiantou que a pandemia do novo coronavírus trouxe “evolução” das necessidades internacionais e das formas de trabalho, nomeadamente em matéria de segurança ou transporte de armas.

O político disse que poderá “haver mudança de postura nos requerimentos aos parceiros, não só porque os orçamentos de Defesa sofreram cortes, mas porque a ameaça nestes lugares pode também desenvolver-se de forma diferente”.

No entanto, o secretário de Estado adjunto referiu que existe uma diferença entre ajustamentos que podem ser feitos de forma imediata e outros aspetos que precisam de “consultas interadministrativas, e paralelamente, notificar e trabalhar com os legisladores do Congresso federal dos EUA”.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 299 mil mortos e infetou quase 4,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (84.985) e mais casos de infeção confirmados (mais de 1,4 milhões).

Em África, há 2.551 mortos confirmados, com quase 72 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné-Bissau lidera em número de infeções (913 casos e três mortos), seguindo-se a Guiné Equatorial (439 casos e quatro mortos), Cabo Verde (315 casos e duas mortes), São Tomé e Príncipe (231 casos e sete mortos), Moçambique (115 casos) e Angola (45 infetados e dois mortos).

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