“As condições já estavam criadas desde julho passado e agora estamos apenas readaptando-as em função das recomendações. O Ministério (do Ensino Superior) visitou algumas instituições nossas e foram confirmadas as condições para o reinício das aulas”, afirmou hoje à Lusa o porta-voz da AIPESPA, Laurindo Viage.

As aulas no subsistema de ensino universitário em Angola, suspensas desde março passado por conta da pandemia, vão ser retomadas a 05 de outubro, no quadro das medidas graduais de desconfinamento, e estendem-se até julho de 2021.

Segundo Laurindo Viage, as instituições privadas de ensino superior vão readaptar-se às novas recomendações com “medidas simples para pessoas adultas”, como o uso obrigatório de máscaras, a lavagem regular das mãos, o distanciamento físico e a abertura das janelas durante as aulas.

“Essas mínimas medidas estão criadas já algum tempo”, assegurou o responsável, afirmando que neste retorno às aulas será introduzido o ensino semi-presencial.

“Para isso também temos que adaptar a nossa organização e, sobretudo, as metodologias pedagógicas para responder a estes desafios”, notou.

O reinício do ano académico no ensino superior em Angola foi avaliado, na segunda-feira, numa reunião extraordinária do Conselho Nacional do Ensino Superior presidida pela ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação angolana, Maria do Rosário Sambo.

Além da aprovação do novo calendário letivo, que se prolonga até julho de 2021, do encontro saiu também a recomendação de um retorno progressivo dos alunos, docentes e funcionários administrativos às instituições, segundo Laurindo Viage.

“Começaríamos com alunos dos últimos anos e, desse modo, também os professores e mais a frente outros alunos. Também os professores e funcionários irão regressar de forma progressiva”, disse.

Por dificuldades financeiras, agravadas pela covid-19 que forçou a suspensão de aulas em março passado, as instituições suspenderam contratos laborais de cerca de 14 mil funcionários, docentes e não docentes. Uma delas despediu 45% do seu pessoal.

O também secretário-geral da Universidade Católica de Angola disse também que a AIESPA aguarda pela resposta das autoridades sobre o decreto conjunto que previa, para este ano académico, o aumento de 13% das propinas correspondente à inflação.

“Também aguardamos que este assunto seja resolvido e segundo a ministra dependerá do Ministério das Finanças”, frisou.

Os custos das instituições privadas do ensino superior resultantes das medidas de biossegurança foram também abordados no encontro com a AIESPA que defendeu apoios do Estado para suportar "essa despesa não prevista".

Visando o recomeço das aulas, Laurindo Viage fez saber igualmente que as instituições farão a reconfirmação dos alunos já matriculados, “sem qualquer custo”, para melhor serem equacionadas as medidas de biossegurança.

“Porque para tomarmos as medidas de biossegurança necessitamos de saber qual o número de alunos que vamos poder contar”, concluiu.

Angola conta com cerca de 50 instituições privadas do ensino superior que absorvem 72% do subsetor do ensino superior no país.

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