O Governo são-tomense decidiu mudar a estratégia de combate ao novo coronavírus, devido ao aumento das infeções. São Tomé e Príncipe está entre os países de expressão portuguesa, e da costa ocidental de África, com maior número infetados com coronavírus, apesar de ter sido um dos últimos a declarar a presença do vírus no seu território. Ao todo, já foram registadas 187 infeções.

Ao abrigo do estado de emergência, foi decretado o confinamento geral obrigatório da população, a partir desta quarta-feira (06.05) e até ao dia 17 do corrente mês. Quem violar a medida incorre num crime de desobediência. Só estão autorizadas saídas para compras rápidas e emergências.

O Executivo lamenta que as normas de prevenção contra a Covid-19 não estejam a ser acatadas pela população.

"O vírus sozinho, nada faz", disse o ministro da Saúde, Edgar Neves. "Nós é que somos o veículo de transmissão, e se nos confinarmos - como o Governo decidiu - reduz-se a probabilidade de transmissão."

Medidas precoces não funcionaram

São Tomé e Príncipe foi o primeiro país africano de língua oficial portuguesa a decretar o estado de emergência, a 20 de março. As escolas foram encerradas, aglomerações foram proibidas, os mercados foram fechados e os voos comerciais e privados foram suspensos.

A crise sanitária mergulhou o país numa crise social sem fim à vista. Até agora, o Estado não conseguiu pagar os salários de abril aos cerca de 7 mil funcionários públicos. Nas ruas, apesar do encerramento dos mercados, várias famílias lutam pela sobrevivência, e vendem produtos, mesmo sabendo dos riscos.

"Dizem para ficar em casa. É bom ficar em casa para não apanhar coronavírus mas eu tenho filhos em casa. Vão comer como? Tenho que trabalhar! É melhor morrer na praça do que morrer em casa com fome", queixa-se uma cidadã são-tomense.

Outro habitante também desvaloriza as medidas de confinamento: "Não há medidas nenhumas que fazem o mundo. O mundo, desde o princípio até ao fim, será assim - nascimento, crescimento e morte. Está no livro do destino."

Médicos em cenário de "guerra"

São Tomé e Príncipe está em "guerra", nas palavras do ministro da Saúde. Vários médicos e enfermeiros que trabalham no banco de urgência foram infetados com coronavírus. O ministro Edgar Neves encoraja a classe para os tempos difíceis que aí vêm.

"Nesse processo há sempre profissionais que ficam infetados. Nós estamos numa guerra e na guerra é assim. Temos é que levantar a moral e continuar em frente."

Para ultrapassar a carência de profissionais de saúde, o Governo autorizou o ministro da Saúde a convocar médicos e enfermeiros de fora do sistema público, além de alunos no último ano de formação de enfermagem.

Pedido de ajuda externa

Numa mensagem gravada à nação, o Presidente são-tomense, Evaristo Carvalho, mostrou-se preocupado com o nível de contaminação.

"Dir-se-ia que caiu uma bomba no nosso país", afirmou.

Sem dinheiro, com a propagação da doença a atingir um nível assustador, o Presidente da República pede o apoio da comunidade internacional para fazer face à doença.

"Preocupa-me neste momento - e daqui faço um veemente apelo à comunidade internacional - entre outras questões que serão vistas com o Ministério da Saúde, o laboratório e os respetivos reagentes."

por:content_author: Ramusel Graça (São Tomé)

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