Numa nota pastoral, os bispos da CEAST referiram que o estado de emergência que o país cumpre há cerca de dois meses, devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus, que provocou já em Angola três mortes, de um total de 60 casos positivos e 18 recuperados, está a revelar as fragilidades do sistema de governação angolano.

“Carências enormes no acesso à água potável e à energia elétrica pela população em geral, falta de saneamento básico e estruturas eficazes de saúde, pobreza nos meios da sustentabilidade alimentar, com a vida de grande parte da população a depender de uma agricultura de subsistência e do instável comércio informal de pequeno vulto”, lê-se na nota.

Os bispos sublinharam que é necessário tirar, no futuro, lições do momento atual, nomeadamente as deficiências que hoje se notam no sistema de saúde, a falta de água para todos e outras, que “deverão figurar entre as prioridades, numa espécie de ‘estado de emergência’ permanente, embora sem confinamento social”.

A CEAST manifestou preocupação com a falta de colaboração com as autoridades sanitárias no que diz respeito às medidas de prevenção por parte dos vários cidadãos que desobedecem às normas estabelecidas, uma situação de desespero por causa da miséria, que força muitos a sair de casa para procurar alimentos e água potável para a sua subsistência.

A violação da cerca sanitária mesmo perante a inquietante existência de doentes assintomáticos da covid-19, a entrada em época de cacimbo, propícia a várias gripes, o uso e abuso desproporcional da força por parte de alguns agentes de defesa, proteção e segurança, que em algumas ocasiões, também são agredidos, compreendem o leque de preocupações dos bispos.

“Perante este quadro cheio de sombras, mas também com alguns sinais de esperança, caso se respeitem as medidas contidas nos decretos presidenciais, apelamos para um compromisso mais público da igreja para com os mais necessitados, tornando ainda mais forte o nosso sistema de solidariedade”, exortou a CEAST.

Para a igreja, que reconheceu o estado de emergência como “necessário, imprescindível e urgente”, duas das mais graves consequências do isolamento social são a suspensão das celebrações dos sacramentos em geral, com destaque para a celebração da eucaristia, com a presença física dos fiéis e a suspensão da catequese e de outras atividades pastorais vitais dos vários grupos de apostolado laical.

Aos médicos, enfermeiros, agentes de saúde, forças de segurança e voluntários, na vanguarda neste período de emergência, a igreja endereçou uma mensagem de encorajamento, através de orações para a sua proteção.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou quase 330 mil mortos e infetou mais de 5,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

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