A medida já está em vigor há alguns dias, mas ainda há quem não saiba que se paga multa pelo não uso de máscara na via pública.

Encontramos Paulino Chioco, um cidadão que trabalha com um carro de mão nas ruas de Luanda, sem a proteção. "Estou com dor de dentes, só tirei a máscara para passar um pouco de vento", justifica.

A multa para quem é apanhado sem máscara vai de cinco a 10 mil kwanzas (entre 8 a 16 euros).

Filipe João Kapitango, residente em Luanda, concorda com a medida do Governo no âmbito do combate à Covid-19. "É muito bom, porque o povo não quer cumprir a ordem de uso da máscara."

Em Angola já foram registadas quase 580 infeções com o novo coronavírus e 27 mortes. O país está desde o final de maio em estado de calamidade pública e foram impostas cercas sanitárias na província de Luanda e do Kwaza Norte para impedir a transmissão comunitária.

Três em cada quatro luandenses concordam com as medidas de prevenção impostas pelo Executivo de João Lourenço, incluindo o uso obrigatório de máscara, revela uma sondagem da Marktest Angola, realizada entre 9 e 13 de julho. Mas será que as multas podem potenciar a corrupção policial no país?

Regras novas, hábitos antigos

Alexandre Inácio, outro morador da capital angolana, não tem dúvidas: "A quem não usa máscara, para não ser levado para a esquadra, vão pedir dois ou três mil kwanzas. É uma 'gasosa'."

A acontecer, não seria a primeira vez. Muitos agentes da polícia angolana têm sido acusados de abusar da sua autoridade para extorquir dinheiro aos cidadãos. Em finais de 2018, o comandante-geral da polícia nacional, Paulo de Almeida, ameaçou expulsar da corporação oficiais com atitudes semelhantes.

Filipe João Kapango diz que já testemunhou um episódio de extorsão na sua rua, depois da implementação do uso obrigatório das máscaras: "A polícia passou e levou dois jovens que estavam na cantina, obrigando-os a pagar multa. Depois de os levarem uns dois metros, os indivíduos voltaram porque pagaram."

À DW África e sem gravar entrevista, a polícia nacional garantiu que os seus efetivos estão a ser fiscalizados no exercício da sua atividade. Sem entrar em detalhes, a corporação não descarta a possibilidade de responsabilizar agentes contra os quais tenha provas de corrupção.

Autor: Manuel Luamba (Luanda)

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